Diretor do Banco Central diz que País vive ano de transição

Luiz Awazu reafirmou que BC fará o possívelpara assegurar que inflação volte ao centro da meta em 2016

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, ÁLVARO CAMPOS, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2015 | 02h01

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Luiz Awazu, afirmou ontem, durante divulgação do Boletim Regional do BC, que a política monetária foi, está e deve manter-se vigilante para assegurar a convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5%, em 2016. Segundo ele, esse cenário de convergência tem se fortalecido, mas os progressos ainda não se mostram suficientes.

"O Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante. Essa é a tarefa para a qual fomos mandatados pela sociedade. É o objetivo que queremos e vamos cumprir com determinação e perseverança", afirmou. Segundo ele, a inflação elevada dificulta investimentos, causa uma deterioração da confiança dos empresários, subtrai poder de compra dos salários e tem repercussões negativas sobre o consumo das famílias, reduzindo assim o potencial de crescimento da economia e a geração de emprego e renda.

Awazu afirmou que o País vive um ano de transição, com ajustes macroeconômicos muito relevantes e necessários, mediante as políticas fiscal e monetária adequadas. Nesse aspecto, há um duplo ajuste de preços relativos (domésticos ante externos e livres ante administrados). "Esse duplo ajuste aumentou a inflação no primeiro trimestre de 2015 e o objetivo é circunscrever isso ao ano de 2015 e conter os efeitos de segunda ordem por meio da política monetária".

O diretor disse também que o Brasil precisa se preparar para a normalização da política monetária dos EUA, fortalecendo as políticas econômicas e os fundamentos do País. Segundo ele, apesar de alguns dados recentes mais fracos do que o esperado sobre a economia dos EUA, o contexto ainda é de sentimento de melhoria na atividade norte-americana. "Os riscos de deflação nas economias avançadas parecem ter diminuído e há uma tendência de estabilização dos preços de commodities", acrescentou.

Em seu Boletim Reginal, o BC reconheceu que a atividade econômica arrefeceu de forma disseminada em todas as regiões do Brasil no trimestre encerrado em fevereiro, em meio aos processos de ajuste na economia brasileira. O IBC-Br, índice de atividade econômica do BC, recuou 0,6% no trimestre encerrado em fevereiro, ante alta de 0,7% nos três meses terminados em novembro.

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