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Fausto de Andrade Ribeiro é o principal nome cotado para assumir a presidência do BB. Linkedin/Reprodução

Governo escolhe Fausto de Andrade Ribeiro como novo presidente do BB

Executivo é presidente de subsidiária do Banco do Brasil desde setembro de 2020; ele acumula passagens em vários setores da estatal, na qual está desde setembro de 2000

Anne Warth e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2021 | 19h42
Atualizado 19 de março de 2021 | 10h32

BRASÍLIA - O governo escolheu o presidente da BB Administradora de Consórcios, Fausto de Andrade Ribeiro, para assumir a presidência do Banco do Brasil no lugar de André Brandão, que apresentou carta de renúncia hoje, 18.

Ribeiro também vai preencher o lugar ocupado por Brandão no conselho de administração do banco. De acordo com o Ministério da Economia, o nome será encaminhado para análise do Comitê de Pessoas, Remuneração e Elegibilidade do BB.

Fausto de Andrade Ribeiro, 52 anos, é presidente da subsidiária do BB desde setembro de 2020. Antes de assumir o cargo, ele foi gerente executivo do banco por quase quatro anos, responsável pela área de canais de terceiros, como correspondentes bancários, banco postal, redes compartilhadas e Banco 24 horas.

Ele foi gerente geral da instituição financeira para Espanha e Marrocos, gerente executivo e responsável pela área de controle contábil do BB e gerente executivo do Banco Patagônia em Buenos Aires.

Formado em Administração pela Universidade Católica de Brasília e Direito pelo Centro Universitário de Brasília. Tem especialização em economia pela The George Washington University e MBA em Finanças pelo Ibmec. Está no BB desde setembro de 2000.

André Brandão já havia sido comunicado da decisão do presidente Jair Bolsonaro sobre sua demissão. Ele renunciou para não ficar de “stand-by” esperando a formalização da sua saída.  

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou segurar Brandão por mais tempo no cargo e evitar o anúncio neste momento, para evitar a amplificação de ruídos no mercado financeiro após a demissão do presidente da Petrobrás, Roberto Castelo Branco.

No governo, um dos nomes mais cotados para a presidência do BB era o do vice-presidente corporativo do BB, Mauro Ribeiro Neto. Mas segundo apurou o Estadão/Broadcast, o ministro da Economia, Paulo Guedes, considerava Neto (33 anos), muito jovem para assumir o comando do banco público. O executivo, que é servidor público de carreira e já atuou na Secretaria de Coordenação e Governança de Estatais do extinto Ministério do Planejamento, permanecerá no cargo.

Já o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, patrocinava a candidatura de Eduardo Dacache para assumir o BB. Ele é presidente da Caixa Seguridade e, por isso, a sua indicação sofreu resistências dentro do BB, diante da rivalidade que existe entre os dois maiores bancos públicos do País.

Além de Castello Branco, Bolsonaro já mandou demitir dois auxiliares de Guedes que bateram de frente com ele. No primerio ano de mandato, o presidente decidiu demitir o então secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, porque considerou que a discussão sobre a criação de um imposto nos moldes da CPMF se tornou "pública demais". Embora tivesse apoio da equipe econômica, o assunto gerou polêmica e não agradou os seus apoiadores.

Bolsonaro também influenciou na mudança de comando de outro banco público ainda em 2019. Ele disse que o então presidente do BNDES, Joaquim Levy, estava com "a cabeça a prêmio" durante conversa com jornalistas. No dia seguinte, Levy pediu demissão do cargo.

Fora da economia, os ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich deixaram o cargo em razão de divergências com o presidente na estratégia para enfrentar a pandemia. /COLABOROU IDIANA TOMAZELLI

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André Brandão renuncia ao cargo de presidente do Banco do Brasil

Pedido de renúncia foi entregue nesta quinta; em mensagem interna, Brandão diz ter tentado 'desafiar vários paradigmas antigos'; para analistas, apesar de esperada, saída deve aumentar clima de incerteza em torno do BB

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2021 | 18h18
Atualizado 19 de março de 2021 | 10h31

O Banco do Brasil comunicou, após o fechamento do mercado nesta quinta-feira, 18, que o presidente da companhia, André Brandão, entregou o pedido de renúncia ao cargo, com efeitos a partir de 1º de abril. O anúncio vem após o executivo entrar em crise com Jair Bolsonaro, motivada pelo anúncio de um programa de reestruturação da estatal, e deve afetar a credibilidade da estatal.

Brandão é o segundo presidente do BB a renunciar em menos de um ano. Seu antecessor, Rubem Novaes, também pediu demissão, alegando motivos pessoais. A saída do executivo representa a décima sexta baixa para a equipe econômica, que também já perdeu Roberto Castello Branco, atual presidente da Petrobrás e os secretários Salim Mattar e Paulo Uebel, por exemplo.

A saída de Brandão do cargo da presidência do banco público já era esperada pelo mercado. Em janeiro deste ano, o executivo entrou em crise com Bolsonaro, ao anunciar um plano de reestruturação que previa o fechamento de 112 agências da instituição, além de programas de desligamento, com expectativa de adesão de 5 mil funcionários

A reestruturação do banco agradou imediatamente aos investidores e também foi considerada positiva pela equipe econômica, para um reposicionamento do banco com enfoque no digital. Porém, o anúncio foi considerado inoportuno pelo Palácio do Planalto na época, quando presidente e aliados estavam em intensa negociação para as eleições dos comandos da Câmara e do Senado.

Mesmo assim, o BB conseguiu começar a tocar o plano. Os primeiros fechamentos foram iniciados neste mês. Pelo menos 160 unidades, entre agências e postos de atendimento, já contam com avisos de encerramento, uma obrigação que o banco tem de cumprir 30 dias antes do fechamento de fato.

Na mensagem de despedida enviada aos funcionários do banco, na qual o Estadão/Broadcast teve acesso, Brandão menciona sua tentativa de modernizar o BB. No texto, ele diz ter procurado "desafiar vários paradigmas antigos", em discussões do conselho diretor. "Provoquei muitos a pensar diferente", disse o executivo.

"Apesar de saber que sou um breve passageiro nesta bicentenária instituição, eu me senti parte da família, graças ao carinho de vocês", disse Brandão aos funcionários. "Espero ter deixado algumas sementes de contribuição para ajuda-los no futuro", afirmou também.

'Operação apara arestas'

Quando foi instaurada a crise entre presidente da república e presidente do BB, o ministro da Economia, Paulo Guedes, precisou agir rapidamente para evitar a demissão de Brandão. Nos bastidores, ele montou uma 'operação apara arestas' para mantê-lo à frente do banco. Porém, nos bastidores, a "fritura" de Brandão continuou mesmo após Bolsonaro ter sido convencido pela equipe econômica em mantê-lo. 

Membros do conselho o BB também pediram pela permanência de Brandão e destacaram que o executivo, que está há apenas cinco meses no banco, tinha elevada competência técnica e inquestionável reputação ilibada. 

Mesmo assim, apenas um mês depois, em fevereiro, Brandão colocou seu cargo à disposição e também deu "carta branca" para a escolha do seu substituto.

Incertezas

Embora já fosse esperada pelo mercado, a saída de André Brandão deve acentuar o clima de incertezas em torno da gestão da estatal. Para Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, a renúncia representa uma sinalização negativa para o banco. “Ele chegou há pouco tempo, com o objetivo de enxugar e quando começou a fazer isso, acabou não conseguindo”, afirma o analista. “A sinalização é negativa.”

O risco de interferência vem penalizando as ações do Banco do Brasil – os papéis lideram as perdas do setor no ano, com baixa de cerca de 20%. “A performance do Banco do Brasil já vinha pior em 2020 e se acentuou neste ano”, afirma Esteter. Segundo o analista, o mercado vai prestar atenção não apenas no nome do substituto de Brandão como também nas primeiras indicações públicas. “O mercado vai ficar muito atento ao primeiro discurso”, afirmou. 

Diretor de renda variável da Eleven Financial, Carlos Daltozo também afirma que a renúncia do executivo, depois de apenas seis meses no posto, põe a insdotituição em um cenário de “total incerteza”. Daltozo espera uma reação negativa do mercado às ações do BB. “Qualquer empresa que faça um processo de transição e cinco meses depois muda novamente, ainda mais um empresa listada na Bolsa, vai sofrer consequências”, afirma o analista.

O diretor da Eleven diz ainda que a renúncia de Brandão é “perfeitamente” compreensível, pois ocorre após um acúmulo de sinalizações negativas por parte de Bolsonaro, como a irritação com o plano e até a troca de comando em outra estatal, a Petrobrás. “Vendo pouca possibilidade de ajustas as coisas, ele renuncia”, diz. /COLABORARAM ANDRÉ ÍTALO ROCHA, ALINE BRONZATI E GABRIEL BALDOCCHI 

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