André Dusek/Estadão
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Diretor do BC defende política expansionista

Tiago Berriel defende que condições econômicas ainda prescrevem a adoção de uma política monetária de estímulo para o crescimento da economia, com juros abaixo do nível estrutural

Reuters

11 Outubro 2018 | 04h00

As condições econômicas ainda prescrevem a adoção de uma política monetária de estímulo para o crescimento da economia, com juros abaixo do nível estrutural, afirmou o diretor de Relações Internacionais do Banco Central, Tiago Berriel, em uma apresentação divulgada pela instituição.

O estímulo gerado por taxas de juros mais baixas deve ser removido gradualmente em caso de piora no cenário prospectivo para a inflação ou se houver deterioração do balanço de riscos, afirmou Berriel, na apresentação em inglês que ele deve fazer na reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), que se realiza em Bali, na Indonésia.

A avaliação reitera a visão abordada pelo Banco Central até a semana passada, na primeira comunicação da autoridade monetária após o primeiro turno das eleições, cujos resultados embalaram os mercados brasileiros nos últimos dias.

Em sua apresentação, o diretor repete, ainda, que não há relação mecânica entre os choques recentes e a política monetária, uma indicação de que o BC pode não reagir imediatamente à valorização do dólar a não ser que haja impacto secundário na inflação.

O nível de repasse cambial vinha se mostrando contido, com exceção de alguns preços administrados, mas as medidas de inflação subjacente se elevaram para níveis apropriados, disseram os diretores do BC no fim do mês passado na ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que manteve os juros na mínima histórica de 6,5% ao ano.

Desde a reunião do Copom, o dólar norte-americano recuou 8,75 % ante o real, diante das perspectivas de que o deputado Jair Bolsonaro (PSL) vencerá as eleições deste ano e escolherá o economista Paulo Guedes para implementar uma agenda de austeridade fiscal, privatizações e reformas. Apesar de na quarta-feira, 10, o mercado ter reagido mal as declarações de Bolsonaro em relação à reforma da Previdência e às privatizações contrárias às expectativas do mercado.

Sob o título “expectativas do mercado ancoradas”, um dos slides da apresentação de Berriel diz que “as expectativas de inflação para 2018 e 2019 estão em cerca de 4,1%. Expectativas para 2020, em torno de 4% e aquelas relativas a 2021 recuaram para 3,9%”.

“Várias medidas subjacentes de inflação estão registrando níveis apropriados, incluindo os componentes que são mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária”, diz o diretor em outro trecho do documento.

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