Diretor do BC diz que combater inflação exige sacrifício

O diretor de Política Monetária do Banco Central Ilan Goldfajn disse hoje, em palestra no Rio, que "nada é de graça e combater (a inflação) também exige sacrifícios". Ele não quis dizer se estava se referindo a novos aumentos na taxas de juros. Após a apresentação, Ilan não respondeu sobre inflação alegando que nesta terça e quarta-feira o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para decidir o futuro da taxa de juros básica, a Selic, que está em 25,5%.De acordo com Goldfajn, da crise no ano passado "sobrou uma inflação maior" do que a que o governo gostaria, mas que o BC tem os instrumentos para combatê-la. Ele ressaltou que há possibilidade de o governo ?fechar o ciclo do ajuste externo? combatendo a inflação. O diretor do BC disse que ?este ano está começando em condições muito mais confortáveis que nos últimos quatro ou cinco anos?. De acordo com ele, se em 2003 não houver "uma crise pior do que a do ano passado, as contas (externas) fecham relativamente fácil" e a crise de uma guerra no Iraque não será pior do que a de 2002. Para ele, se a guerra no Iraque for longa, a crise deste ano será metade da do ano passado.De acordo com o diretor, o saldo comercial este ano será de US$ 16 bilhões, o déficit em transações correntes deve ser de US$ 5,6 bilhões, e os investimentos diretos estrangeiro devem ficar em US$ 15 bilhões. "Então vamos ter US$ 10 bilhões de diferença (entre o déficit e os investimentos estrangeiros)", disse, acrescentando que se as amortizações não chegarem a esse valor, ?o dinheiro sobra?.O diretor disse que as necessidades de financiamento do Brasil para as contas no exterior em 2003 somam US$ 33,1 bilhões, sendo US$ 27,5 bilhões em amortizações em médio e longo prazo, que podem ser roladas. Goldfajn disse que para fazer frente a estas necessidades, "metade é investimento direto, e se rolar a outra metade, as contas fecham sem dinheiro do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Banco Mundial, e, no entanto, algum dinheiro virá do BID e do Banco Mundial", disse. Ele acrescentou que "se a República conseguir captar US$ 3 bilhões, por exemplo, fecha este número (de necessidade de financiamento com o exterior?. Goldfajn afirmou que se a guerra de Iraque interromper o fluxo de capital que está ocorrendo para o Brasil "aí não vai sobrar recursos, vai ter os que estão aí". Disse ainda, referindo-se aos recursos FMI disponíveis para o Brasil este ano, que, "se tudo o mais não funcionar, tem US$ 24 bilhões do FMI que é um valor significativo diante das necessidades de financiamento de US$ 33 bilhões". Sobre a parte fiscal, Goldfajn destacou o aumento do superávit primário de 3,75% para 4,25% do PIB e a prioridade do governo para a reforma da previdência. De acordo com Goldfajn a reforma é importante para o ajuste fiscal permanente. Estes esforços, disse, são alicerces que criam condições no futuro para a redução do risco Brasil e em conseqüência disso da taxa de juros.

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