Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Diretor do BC é tagarela, diz Serra

Em audiência com presidente do BC, senadores José Serra e Lindbergh Farias criticaram vazamentos de opiniões sobre rumo da taxa Selic

Célia Froufe, Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2015 | 05h00

BRASÍLIA - Mesmo sem participar da comitiva de técnicos e assessores que acompanhou o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em audiência no Senado, o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Tony Volpon, foi o principal alvo de críticas. O senador José Serra (PSDB-SP) chegou a chamá-lo de tagarela e exibicionista. Tombini não defendeu diretamente seu diretor.

O presidente do Banco Central disse que os membros do Comitê de Política Monetária (Copom), responsáveis pela definição da taxa básica de juros (Selic), têm liberdade para se expressarem desde que seja em local público e de comunicação simultânea. “Não respondo por ninguém individualmente, respondo pela instituição”, disse. “Toda vez que houver ideia nova, a determinação é passar para todos ao mesmo tempo.”

A ofensiva de Serra a Volpon teve início em julho. Em evento em São Paulo, Volpon disse que ia votar a favor do aumento de juros até que a projeção do BC indicasse que a inflação estava convergindo para o centro da meta, de 4,5% ao ano. Em artigo e entrevistas, o senador chamou a fala de “grande bobagem” e disse que o diretor não poderia antecipar seu voto da próxima reunião do Copom. 

Por isso, Volpon preferiu não participar do segundo dia de reuniões do Copom de julho. Ele quis evitar que se alegasse que seu voto foi anunciado antes da hora. Na ocasião, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 14,25% ao ano.

Sem citar o nome de Volpon, Serra lembrou o episódio ontem a Tombini. “Vossa Excelência tem um integrante (na diretoria) que sofre de muita tagarelice e exibicionismo”, disse durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. “O referido diretor é muito falante e pode não ter falado em nome do BC.” Serra disse também que ele “fala demais” e gostaria que Tombini falasse com a mesma frequência do diretor. 

O senador comentou ainda estar “muito desconfortável” com vazamentos de opiniões de integrantes do Copom. “Não sei por que essa compulsão de ficar passando recado ao mercado”, ironizou. “Se a autoridade monetária tem um erro de comunicação complicado, é melhor reconhecer rapidamente.” 

Volpon ‘fora da curva’. Logo depois, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) adotou o mesmo tom de críticas, mas nominalmente. “Os senhores sabem que sou defensor de diretoria formada por funcionários públicos, mas essa nomeação do diretor Volpon saiu um pouco fora da curva”, disse. Volpon é praticamente o único entre os oito membros do Copom vindo do mercado financeiro. A outra exceção é o diretor de Política Monetária, Aldo Mendes, que veio do Banco do Brasil – mesmo assim, um funcionário público.

A reportagem do Estado procurou Volpon, mas a assessoria do Banco Central informou que Tombini já havia respondido em nome da instituição. Durante a audiência, Tombini disse que o importante é que o pronunciamento seja público e simultâneo. “Eu aqui hoje já mandei algumas mensagens importantes para o mercado, para os formadores de preços.”

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