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Diretor do Citi: cargo pouco desejado

Com participação maior do governo no banco, emprego de Pandit está em xeque, mas substitutos são raros

Michael J. de la Merced, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2009 | 00h00

Supervisores governamentais rigorosos. Acionistas covardes. Colegas intratáveis. Nenhuma estabilidade no emprego. E um salário anual de US$ 1. Quem poderia querer o emprego de Vikram S. Pandit? Enquanto o Citigroup, o gigante bancário administrado por Pandit, esperava pela aprovação do terceiro resgate do governo - confirmado ontem - muitos em Wall Street se perguntavam por quanto tempo ele pode resistir no cargo.Apesar de muitos se perguntarem se a gerência será substituída - após o governo ter aumentado sua participação no grupo para 36% - é possível que Pandit esteja a salvo, ao menos por enquanto. Fontes nos bastidores insistem que o conselho e os reguladores federais apoiam Pandit, executivo que herdou muitos dos problemas da empresa quando se tornou diretor no fim de 2007.Mas há um outro problema, talvez ainda maior, que deve garantir o emprego de Pandit: não há muitos executivos, dentro ou fora do Citigroup, dispostos a assumir o lugar dele. Incentivada pelos reguladores, a empresa já vendeu parte dos seus negócios, reorganizou seu conselho, reduziu os bônus e cortou o uso de jatos corporativos. Por toda a América corporativa, os imperiais diretores executivos dos últimos anos estão desaparecendo conforme a recessão se aprofunda. Mas é no setor financeiro que esse efeito é mais aparente, com executivos se esforçando para manter empregos cada vez mais ingratos.De acordo com os dados da consultoria de carreira Challenger, Gray & Christmas, 1.484 executivos abandonaram ou perderam seus empregos em 2008, um número maior do que o observado nos três anos anteriores. Dos 113 executivos que perderam suas posições no mês passado, 13 eram do setor financeiro, ramo que ocupou a quarta colocação entre os setores que mais demitiram."Os diretores executivos passam por um momento de grande vulnerabilidade por causa das pressões exercidas sobre eles, vindas de todas as direções", disse John A. Challenger, diretor executivo da Challenger, Gray. "Eles recebem a culpa pelos problemas das empresas, com ou sem justiça. A indignação está em todos os níveis." A raiva contra eles está se tornando pública. Prova disso são as sessões de fritura a que foram submetidos os diretores de oito dos maiores bancos americanos, durante as quais os legisladores submeteram os executivos a uma bateria de denúncias e perguntas indignadas. E depois de receber dinheiro do governo - em alguns casos, para manter as empresas funcionando - eles não tiveram escolha a não ser permanecer nos seus cargos.Um diretor executivo de Wall Street, que não quis ser identificado, disse que a taxa de demissão mais alta entre os seus colegas era esperada. Mas acrescentou que as opções para a substituição de Pandit pareciam mais restritas. "O número de pessoas que têm no seu histórico a administração de instituições intergalácticas como essa é pequeno e o número de pessoas dispostas a administrá-las é ainda menor."Além dos acionistas ativistas, do desprezo público e dos legisladores iracundos, os pretendentes a executivos precisam enfrentar outro temor: o de sofrer sanções legais provenientes de problemas que podem atingir uma empresa na sua gestão, de acordo com Mark Gottfredson, chefe de práticas para a melhoria do desempenho global da Bain & Co.Aqueles que estudam a gestão dos diretores executivos estão descobrindo que os reinados duradouros nos mais altos postos estão diminuindo. De acordo com Gottfredson, a duração média da gestão de um diretor executivo caiu de 10 para 8 anos. Quase 40% dos diretores executivos - homens e mulheres habituados a uma carreira bem-sucedida - não completarão outro ano nas suas atuais funções."Os conselhos e acionistas estão cada vez mais impacientes", disse Challenger. É claro que muitos caciques ainda recebem vultosos pagamentos, mesmo depois de abrir mão dos bônus e privilégios. (Quatro diretores de bancos disseram ao Congresso que os seus salários eram de US$ 1 milhão ou mais e, até pouco tempo atrás, Pandit pertencia a esse grupo). E apesar da mácula recém-adquirida pela profissão, diversos executivos ainda almejam atingir o mais alto posto."Os diretores executivos parecem estar caindo na mesma categoria dos políticos, considerados as pessoas mais detestadas e malquistas dos Estados Unidos", disse Challenger. "Ainda assim, há pessoas que pretendem seguir a carreira política." Mas com o início dos limites impostos pelo governo à remuneração dos executivos, alguns candidatos em potencial podem decidir que ser diretor executivo de uma empresa financeira não compensa.

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