Diretor do FMI alerta para ritmo de expansão do Brasil

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse hoje que a taxa de crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre foi "tão alta" que ninguém pode desejar que ela continue nesse patamar, porque teria o risco de surto de sobreaquecimento. Ao ser questionado se concorda com o aumento dos juros pelo Banco Central (BC), para desaquecer a economia, Strauss-Kahn afirmou que a política monetária deve ser considerada como forma de gerenciamento da economia.

RENATA VERÍSSIMO E ADRIANA FERNANDES, Agencia Estado

26 de maio de 2010 | 15h14

Segundo ele, como há um volume de crédito alto no mercado, o aumento dos juros pode evitar o sobreaquecimento. Strauss-Kahn disse ter confiança na administração do governo e do BC, em função das medidas adotadas no passado. "Tenho certeza de que o governo conseguirá administrar essa situação (de crescimento acelerado).

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou que o aumento dos juros não é o único instrumento do Brasil para o controle da inflação que, segundo ele, não está fora de controle. Mantega lembrou que o Executivo também reduziu os gastos públicos para tirar o excesso de demanda do governo.

O ministro destacou que o efeito do aumento dos juros se dá muito no longo prazo e que às vezes é preciso adotar uma medida com eficácia mais rápida. Ele repetiu que não acredita que a economia brasileira cresça 7% este ano. Mantega disse ainda que o ritmo de crescimento no primeiro trimestre foi de 8% a 9%, mas que já está havendo uma desaceleração no segundo trimestre e citou como exemplo as vendas no setor automotivo. "Caminhamos para um crescimento sustentável, que não será maior que 6% e 6% e quebrado", afirmou.

Ao ser questionado se a alta do país este ano chegaria a 6,5%, Mantega disse que não tem um número mágico. Ele lembrou que o Brasil complementa parte das suas necessidades com produtos importados. "Podemos importar mais ou menos". Mantega afirmou que o governo não quer um crescimento de 7%. "Até 6%, 6% e pouco é perfeitamente sustentável. Para nós o importante é o crescimento de longo prazo e não o de curto prazo", afirmou.

Cotas

Strauss-Kahn afirmou também que mais importante que a revisão de cotas do FMI é a forma de participação dos países no organismo. "O problema é como os países querem fazer parte do Fundo. O perfil das pessoas que vão representar o País é importante. Se vão ser ativo ou passivo", afirmou.

Segundo Strauss-Kahn, o Brasil é um bom exemplo. "O Brasil é claramente muito atuante no cotidiano do FMI", afirmou. "Não estou dizendo que o sistema de cota não é importante. Mas que é importante também como os países querem influenciar nas decisões do FMI", ressaltou. O Brasil tem defendido uma reforma do sistema de cotas que garanta uma participação mais ativa dos países em desenvolvimento. "Não tem dúvida de que os países emergentes estão sub-representados no FMI. Isto é reconhecido pelo próprio fundo", disse Mantega.

Convênio

Mantega e Strauss-Kahn assinaram hoje um convênio para criação, em Brasília, de um centro de treinamento do FMI. O centro vai treinar funcionários do governo dos países da América Latina nas áreas de política macroeconômica, financeira, bancária, setor externo e estatística.

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