Diretor do FMI pede fim da rigidez da economia brasileira

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato, pede o fim da "rigidez" da economia brasileira para que o País possa crescer. Falando após as reuniões de ontem do Banco de Compensações Internacionais (BIS), Rato apontou que 2007 será um ano de crescimento para a economia mundial, mas deixou claro que o setor produtivo brasileiro precisa ser dotado de incentivos para poder tirar proveito do cenário internacional e que a economia precisa de uma maior abertura. Além disso, lembrando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia seu segundo mandato, sugeriu um novo calendário de reformas no País. De fato, nem bem o novo mandato de Lula começou e o FMI voltou a dar suas sugestões ao governo. "A economia brasileira não tem um problema de credibilidade macroeconômica. O Brasil apresenta estabilidade do ponto de vista dos preços. Mas sofre com rigidezes no setor financeiro e uma rigidez importante no orçamento. Além disso, o País precisa dotar seu conjunto produtivo de uma maior capacidade para responder às oportunidades", afirmou o diretor-gerente em resposta a perguntas dos jornalistas brasileiros. Rato participa desde ontem das reuniões no BIS (O banco central dos bancos centrais) ao lado dos principais BCs do mundo. O Brasil está representado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que hoje falará aos xerifes das finanças internacionais sobre a situação no Brasil.Para Rato, a situação do Brasil é clara: sem reformas em alguns setores fundamentais, essas rigidezes não serão quebradas, uma condição necessária para que a economia cresça. "A economia brasileira melhorou de uma maneira muito importante do ponto de vista macroeconômico, ganhou ampla credibilidade nos mercados financeiros internacionais e amplo espaço de manobra para responder a choques externos. A política de dívida e de juros, conduzida pelo Banco Central, foi positiva", avaliou o representante do FMI. Mas, para o FMI, está na hora de se construir um novo calendário de reformas. "Com a nova agenda política que se inaugura, é sem duvida o momento de construir sobre a estabilidade macroeconômica para dar à economia uma maior flexibilidade e também para dar ao setor público uma maior flexibilidade", disse. Pelos cálculos do FMI, o crescimento da economia brasileira será de 3,4% para 2007 e 3,8% em 2008. Para este ano, a média do crescimento mundial será de 4,9%. Para que as taxas brasileiras sejam ampliadas e se assemelhem mais a outros países emergentes, Rato ainda bate na tecla das reformas como solução. "Reformas são importantes no setor financeiro, no setor de serviços e de bens de maior competitividade. Ao mesmo tempo, o País precisa de uma reforma fiscal para dar mais flexibilidade ao orçamento. Esses são elementos importantes para a agenda do Brasil nos próximos anos", afirmou.Rato ainda dá indicações de que o Brasil não pode mais apenas se preocupar com a estabilidade. "O problema brasileiro não é estabilidade macroeconômica. Isso hoje é uma vantagem do Brasil para construir uma economia que possa crescer durante amplo longo período de tempo. O crescimento sustentável requer estabilidade, mas também requer flexibilidades", disse. Para ele, a abertura da economia "sem dúvida" contribuiria para o crescimento. Cenário Para Rato, o cenário internacional é favorável para 2007, em especial para os mercados emergentes. "Alguns mercados emergentes vão crescer muito", afirmou. Segundo ele, diante do apetite ao risco nos mercados financeiros, esse é o momento para que governos nacionais aproveitem para implementar medidas que favoreçam o crescimento. "Vemos um crescimento forte na Europa, a continuação do crescimento no Japão, e um crescimento muito grande em alguns países emergentes, particularmente na Ásia", afirmou. "Quanto aos Estados Unidos, avaliamos que haverá uma desaceleração suave da economia, o que é bom tanto para os Estados Unidos como para a economia mundial", disse.Vigilância Rato, porém, insiste na necessidade de os BCs se manterem vigilantes em relação ao risco. Para ele, as posições adotadas até agora pelas instituições são adequadas, principalmente entre os países que estão mantendo suas políticas monetárias. "Precisamos manter a vigilância em relação à evolução dos preços", afirmou Rato, que afirma que os preços internacionais do petróleo ainda precisam ser monitorados. "É verdade que temos muito muitos ganhos para certas economias. Mas a credibilidade dos BCs precisam ser preservadas. Por isso, acreditamos que os bancos centrais precisam manter suas posturas macroeconômicas", afirmou. Meirelles O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, desembarcou sábado na Basiléia para participar da reunião com os xerifes da economia mundial sem saber se permanecerá à frente do BC. "Essa é a pergunta de um milhão de dólares", afirmou Meirelles ao ser questionado pela imprensa brasileira se já recebeu um convite para continuar em seu cargo, mantido desde o início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas para os demais presidentes de BCs presentes nos últimos dias nas reuniões do Banco de Compensações Internacionais (BIS) na Basiléia, a permanência de Meirelles é dada como certa. "Todos estão com a expectativa de que ele (Meirelles) fique. Ele é visto como um contrapeso a certas áreas do PT", afirmou um governador de um BC estrangeiro, que pediu para não ser identificado. O presidente do BC, porém, deixou para o Palácio do Planalto qualquer comentário sobre sua permanência. "Cabe ao presidente falar sobre esse assunto", afirmou. Enquanto seu futuro não é decidido, Meirelles participou da principal reunião do BIS para debater os cenários da economia global para 2007. A avaliação preliminar feita pelos demais BCs latino- americanos é de que a situação para os mercados emergentes neste ano é positiva. "O que vemos é um ano muito bom pela frente. As três principais economias Brasil, México e Argentina, além de Chile, Peru e Colômbia devem ter crescimento", afirmou Martin Redrado, presidente do BC argentino, ao deixar ontem uma reunião no BIS exclusivamente sobre mercados emergentes.

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