Diretor do Ipea considera fala de Alencar "exótica"

O economista Armando Castellar, diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), que é subordinado ao Ministério do Planejamento, disse que as declarações do vice-presidente José Alencar, feitas ontem na Fiesp, quando voltou a insistir na queda dos juros, não ajudam muito o governo Lula. "Acho (as declarações) um pouco exóticas. Na época da campanha, se imaginava exatamente que o vice agregaria um sinal de estabilidade, de responsabilidade, e o que a gente vê é exatamente o oposto. Temos um presidente com um discurso extremamente sensato e cauteloso, dizendo que não vai entrar em aventuras. E a gente vê o discurso do vice, que eu até custei um pouco a entender o que ele quer dizer", disse Castellar, em entrevista ao Conta Corrente, da Globo News. Para o economista do Ipea, o vice certamente não está a advogar o não-pagamento dos juros da dívida pública. "Então, não é este o teor do comentário dele. O que eu posso entender, é que ele está advogando um superávit (primário) maior, que é a maneira como podemos pagar uma parcela maior dos juros e com isso temos uma redução mais rápida, tanto na taxa de juros como na dívida pública. Mas não consigo entender como a gente pode gerar desenvolvimento reduzindo os juros. Eu acho que se há um aprendizado que a gente teve, não é a política monetária que vai fazer o País crescer de forma sustentada. O que a gente precisa é fazer a agenda de reformas micro. Acho que o presidente está tendo uma contribuição maior neste sentido do que o vice-presidente." Preocupação com os salários Na opinião de Castellar, o vice deveria preocupar-se mais com a inflação, para que os salários dos trabalhadores não sofram uma queda maior do que a ocorrida no ano passado. Segundo disse, a redução nas vendas deveu-se à inflação elevada de 2003, que corroeu os vencimentos e, agora, se reflete no comércio. "O vice devia estar mais alinhado com a preocupação do Banco Central de ter inflação baixa para proteger o salário dos trabalhadores, para o Brasil poder comprar produtos, como os têxteis." Redução da Selic O economista concluiu dizendo que todo mundo concorda, inclusive o Banco Central, que a taxa básica de juros (a Selic) pode baixar. A discordância é sobre a dinâmica e a hora certa para a redução, já que a equipe econômica tem uma meta inflacionária a cumprir. Ele lembrou que, no começo do ano, houve uma tentativa de antecipação no aumento da margem de lucros das empresas, sob a justificativa da elevação nos preços das comodities e de produtos sazonais. "Eu acho que o Banco Central já sinalizou que os juros vão cair. A ata da última reunião (do Copom) deixa isso claro."

Agencia Estado,

30 Março 2004 | 07h49

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