Diretor executivo da Microsoft vai se aposentar

Steve Ballmer, que substituiu Bill Gates no comando da empresa em 2000, deixará a fabricante de software nos próximos 12 meses

NICK WINGFIELD / SEATTLE, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2013 | 02h06

Steven A. Ballmer, que assumiu a diretoria executiva da Microsoft em 2000, anunciou ontem que se aposentará dentro de 12 meses, um pouco mais cedo do que estava previsto, sem deixar um sucessor evidente.

Ballmer, que ingressou na Microsoft em 1980, deixará uma companhia muito diferente da temida gigante do software da década de 1980. Durante seu mandato como diretor executivo a empresa não conseguiu tirar benefícios de algumas das mais importantes mudanças ocorridas no campo da tecnologia, incluindo a ascensão dos aparelhos móveis e das buscas na internet.

Ballmer também dirigia a companhia numa época em que Apple, velha arqui-inimiga, quase faliu, no final dos anos 1990, e o Google, que nem mesmo existia até então, subiu às alturas.

Como diretor executivo (CEO, na sigla em inglês), nos últimos anos ele tem enfrentado pedidos regulares de investidores e analistas para sua saída, devido aos tropeços cometidos pela companhia. Na verdade a ação da Microsoft - cujo preço caiu durante grande parte da sua gestão - teve um aumento de 6% por causa da notícia de sua aposentadoria.

Mas, segundo a Microsoft, a decisão de deixar a empresa foi inteiramente de Ballmer.

"Nunca há um momento perfeito para este tipo de transição, mas esta é a hora certa", disse o executivo em um e-mail interno enviado a funcionários e divulgado pela empresa (veja um trecho nesta página).

Steven Ballmer, 57 anos, permanecerá na companhia até que o sucessor seja escolhido por um comitê do conselho de administração que inclui John W. Thompson, diretor independente do conselho, e Bill Gates, fundador da Microsoft. A comissão analisará o perfil de candidatos internos e externos e contratou uma empresa para procurar um substituto.

Transição. No início deste ano, a Microsoft anunciou uma enorme reestruturação com o objetivo de tornar a companhia mais ágil e menos propensa a desacordos internos. Ballmer disse que a reorganização ajudaria a reformar a empresa e transformá-la numa companhia de "aparelhos e serviços" que daria mais atenção à harmonização do seu software com hardware - e em alguns casos produziria os próprios aparelhos.

Ballmer disse que deixa a empresa mais cedo do que o planejado porque acha que a Microsoft necessita de um executivo que fique muito mais tempo depois da transição. "Minha ideia originalmente era de que minha aposentadoria ocorreria durante a transformação da companhia para uma empresa de aparelhos e serviços", disse. "Precisamos de um CEO que permaneça aqui mais tempo nesta nova direção."

O anúncio da sua saída deixou perplexos muitos observadores do setor de tecnologia. O péssimo desempenho das ações da companhia foi um fator importante.

Este ano um fundo de hedge, o ValueAct, conhecido pela atuação intensa nos bastidores, começou a adquirir uma pequena participação na Microsoft. Alguns analistas acreditam que outros acionistas podem estar propensos a se juntar ao fundo para fazer pressão por mudanças na administração.

Ontem alguns analistas especularam que Ballmer anunciou a aposentadoria antecipada para que a companhia tivesse tempo para encontrar um sucessor sem a distração de uma disputa com acionistas. O desempenho financeiro da Microsoft nos próximos trimestres também poderá ampliar os apelos no sentido de uma mudança na direção.

A Microsoft teve resultados decepcionantes no último trimestre. A área do Windows deu sinais de que pode sucumbir, acompanhando uma queda geral das vendas de computadores. A Microsoft também registrou uma inoportuna provisão de US$ 900 milhões para cobrir seu estoque de tablets Surface, a resposta da empresa aos iPads, que não foram vendidos.

Muitos analistas preveem que as vendas de computadores pessoas continuarão a cair no futuro à medida que os consumidores optem por comprar tablets e smartphones. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.