Diretora da Fitch critica política fiscal expansionista do governo

A diretora de rating soberano da Fitch, Shelly Shetty, questionou a política fiscal expansionista do governo neste ano que, para ela, aparentemente, não seria necessária, dada a recuperação robusta do nível de atividade. A instituição prevê um crescimento de 5,5% neste ano e de 4,5% em 2011.

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

Ela fez um questionamento específico sobre a política do governo de estimular investimentos de longo prazo, com o orçamento do BNDES. O Tesouro liberou R$ 100 bilhões para o caixa do banco oficial em 2009 e concedeu mais R$ 80 bilhões neste ano. Segundo Shelly, esses recursos acabam aumentando a dívida pública bruta, que está ao redor de 63% do PIB.

Respondendo à Agência Estado sobre a conveniência de um aporte de R$ 80 bilhões neste ano, quando a economia está aquecida, a diretora da Fitch comentou: "É um ponto de interrogação". Shelly ponderou que compreende a injeção de R$ 100 bilhões no orçamento do banco oficial em 2009, pois o País enfrentava os reflexos da forte recessão mundial, o que diminuiu oferta de crédito por bancos. Porém, para este ano, ela levanta dúvidas se o BNDES necessitava de um aporte adicional do Tesouro.

"Entre as questões que envolvem a recente deterioração fiscal é preciso saber qual será o papel do banco", afirmou.

Embora mostre ceticismo no cumprimento da meta de 3,3% do PIB de superávit primário para este ano, a diretora da Fitch estima que a poupança do orçamento federal ficará perto da marca, em 3,1% do PIB.

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