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Diretora da Petrobras defende novos preços para o gás

Para Graça Silva Foster, política deve assegurar rentabilidade para permitir a manutenção dos investimentos

Nicola Pamplona, do Estadão,

03 de outubro de 2007 | 20h02

A nova diretora de gás e energia da Petrobras, Graça Silva Foster, assumiu o cargo defendendo a nova política de preços da empresa para o gás natural, criticada pelas distribuidoras, que temem mais aumentos. "A política deve assegurar rentabilidade para permitir a manutenção dos investimentos", afirmou, em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira, 3. Na segunda-feira, o preço do gás boliviano subiu, em média, 9%. O gás nacional aumentou 7%. O repasse às distribuidoras foi imediato. Os novos preços vêm sendo negociados com as distribuidoras desde a virada do ano. Na terça-feira à noite, o secretário-executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Francisco Barros, reclamou que, por conta dos sucessivos aumentos, o gás natural veicular (GNV) vem perdendo competitividade em relação à gasolina e ao álcool. Segundo ele, a falta de uma política de preços de longo prazo afasta investidores. Graça reafirmou que a nova política considera o custo dos investimentos na cadeia do gás e a comparação com os combustíveis concorrentes - óleo combustível, no caso da indústria, e gás natural liquefeito (GNL), no caso das térmicas. "A remuneração (com a venda do gás) tem que pagar os investimentos feitos em toda a cadeia, que inclui o transporte e a produção", frisou, afirmando que a empresa também se preocupa em manter um preço atrativo para os clientes. "Não adianta ter rentabilidade que mate o consumidor." As mudanças na política de preços do gás começaram em meados de 2005, com a retirada de descontos que vinham sendo concedidos desde 2003. Um dos objetivos era conter o crescimento do consumo, que chegou a taxas anuais de 20%, devido ao estrangulamento da oferta do combustível. Desde o fim dos descontos, a alta no preço do gás chega perto dos 70%, com forte impacto da disparada do preço do petróleo no período. Distribuição Graça afirmou que a Petrobras continua interessada em ampliar sua participação na distribuição de gás canalizado. A estatal está hoje em 20 das 25 distribuidoras do País, mas tem uma fatia de apenas 40% nas vendas. "Nos grandes mercados, a Petrobrás não participa", reclamou, referindo-se ao Rio, onde a distribuição é controlada pela espanhola GasNatural, e São Paulo, que tem três distribuidoras privadas. "Não há nenhuma ação explícita de aquisição de distribuidora, mas estamos atentos às boas oportunidades", disse. Questionada sobre seus planos para a diretoria, que assumiu na semana passada, Graça afirmou que sua gestão será pautada pela continuidade. "Não muda absolutamente nada. Entro com o único propósito de atuar fortemente no desenvolvimento dos projetos da área", afirmou. "Meu trabalho parece ser mais fácil do que o de meus antecessores, que tiveram que criar essa estrutura", concluiu, fazendo questão de citar nominalmente as três pessoas que passaram pelo cargo desde que foi criado, em 1999: Delcídio Amaral, Antônio Luiz de Menezes e Ildo Sauer.

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