Diretora da Petrobrás diz que é preciso recuperar as reservas

Segundo Solange Guedes, estatal tem de voltar a ser forte em exploração e aproveitar oportunidades no pré-sal

Antônio Pita e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

22 Setembro 2016 | 00h07

RIO - Focada na recuperação financeira, prioridade no curto prazo, a Petrobrás não pode “perder de vista” a recuperação das reservas de petróleo. “Precisamos voltar a ser fortes em exploração e intensificar oportunidades no pré-sal”, alertou a diretora de exploração e produção, Solange Guedes. Segundo ela, o perfil da empresa no longo prazo será “mais enxuto, com mais valor e melhor gestão de risco”. 

A diretora apresentou a empresários o plano de negócios da companhia até 2021 – a área de exploração foi uma das mais afetadas pelo corte de gastos e investimentos. Durante a apresentação, Solange destacou que o portfólio da companhia é “patrimônio premium”. “A visão de longo prazo reside nas decisões de hoje. Temos de zelar por esse patrimônio.” 

O plano revisou as metas de produção: em 2017, a meta é alcançar volume diário de 2,07 milhões de barris em campos nacionais – uma redução de 4% em relação à projeção anterior. A redução se deve ao programa de venda de ativos, que afetará também a taxa de reposição de reservas da companhia. 

Apesar do alerta, o diretor financeiro, Ivan Monteiro, reforçou a visão da empresa de que “a produção não é um fim em si mesmo”. “Não temos de ser uma companhia que só se preocupe em produzir, temos de ser uma companhia que se preocupe em ser rentável.” 

O presidente da estatal, Pedro Parente, indicou que a companhia terá maior “seletividade” nas áreas do pré-sal com o fim da obrigatoriedade de atuar em todas as áreas. A decisão deve ser votada na Câmara no próximo mês. “Após dez anos no pré-sal, temos conhecimento que nos permite ser seletivos para aplicar bem o capital, especialmente em um quadro de escassez de recursos.”

Diante da plateia de fornecedores, Parente voltou a sinalizar para a possibilidade de fazer contratações fora do País. Ele criticou, mais uma vez, a política de conteúdo local. “Sei que há uma preocupação com a contratação de equipamentos fora do País, mas é preciso que se entenda que a gente tem de cumprir a curva de produção”, afirmou. “Lamento, mas a gente tem de trabalhar esses dois anos para depois retomar a relevância da Petrobrás como alavanca de crescimento do nosso País”, completou.

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