Diretora do FMI defende política de juros do BC brasileiro

A vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anne Krueger, defendeu a política monetária do Banco Central brasileiro e alertou que ?a pior coisa que poderia acontecer para o Brasil" seria uma escalada inflacionária. Em entrevista a um pequeno grupo de jornalistas durante o Forum Econômico Mundial, ela demonstrou otimismo com as perspectivas de crescimento econômico do Brasil para este ano, mas alertou que o País ainda é vulnerável a choques externos. ?O Brasil está na zona média de risco?, disse Krueger. Ela declarou que a decisão de renovar ou não o acordo com o Fundo depende apenas da avaliação do governo brasileiro. Mas admitiu que já vem conversando com as autoridades brasileiras a respeito do tema. Cabe também ao Brasil, observou, estabelecer sua meta de superávit primário. Mas Krueger observou que se o Brasil decidisse elevar o superávit, a vulnerabilidade do país cairia mais rapidamente. Ela acredita que 2005 ?será mais um ano bom? para os países emergentes, com o FMI apostando numa alta gradual dos juros nos Estados Unidos. A seguir, os principais trechos da entrevista: Política monetária ?O Banco Central brasileiro obteve no ano passado o melhor crescimento econômico dos últimos dez anos, então ele não deve estar errado agora. O País tem uma história inflacionária. A pior coisa que poderia acontecer para o Brasil seria a inflação decolar agora. O Banco Central está corretamente preocupado em manter o crescimento e ao mesmo tempo manter a inflação baixa. Essa é o caminho estreito no qual o BC ainda têm que andar. E nossa avaliação é que o BC está fazendo um bom trabalho.? Juros e crescimento?O BC tem um julgamento para fazer, porque ele também pode prematuramente baixar os juros e gerar inflação. É preciso encontrar o equilíbrio entre esses dois fatores para ver o que é mais importante. Neste momento, por tudo que me é dito, o crescimento econômico do Brasil me parece muito forte. A demanda está crescendo e a preocupação real neste momento deve ser que isso não afete a inflação. Em algum momento, se a demanda ficar mais fraca, se as pressões inflacionárias cederem, os juros poderão baixar. Mas, neste momento, baseado no que eu sei, no que nossos técnicos sabem, parece que o BC está correto.?Vulnerabilidade do Brasil ?É claro que o Brasil ainda é vulnerável. Qualquer país com uma grande dívida como a brasileira é vulnerável se acontecer um choque negativo nos mercados mundiais, uma queda dos preços das commodities, uma paralisação das encomendas dos chineses, etc. Não há país que não seja vulnerável. A questão é o quanto é vulnerável. O Brasil ainda tem um volume grande de dívida para rolar. O Brasil está na zona média de risco. Não está mais na zona de alto risco, mas por outro lado seria muito bom se o país tivesse uma dívida muito menor.?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.