André Ribeiro/ Agência Petrobrás
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Diretora da Petrobrás, Andrea de Almeida é a 49ª mulher mais poderosa do mundo

Executiva da estatal na área de Finanças, que chegou ao ranking da revista norte-americana 'Fortune', trabalhou por 25 anos na Vale

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2019 | 19h14

RIO - Apontada pela revista Fortune como uma das 50 mulheres mais poderosas do mundo, a diretora Finanças e de Relações com Investidores da PetrobrásAndrea Marques de Almeida, está sendo reconhecida por contribuir com a recuperação financeira e de imagem da estatal, após a crise provocada por escândalos de corrupção, revelados na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

Para justificar a 49ª colocação concedida à executiva, a revista norte-americana destacou que Andrea tem um trabalho desafiador pela frente: de reconstruir a empresa. A Fortune ressaltou também que o custo da corrupção – como com o ressarcimento de US$ 2,95 bilhões a investidores dos Estados Unidos – não impediu que a companhia fechasse o ano passado com receita de US$ 95,6 bilhões e lucro de US$ 7,2 bilhões.

Entre as características de Andrea salientadas pela revista está a responsabilidade de supervisionar uma operação bilionária na Petrobrás, que ocupa a 74º posição na lista Fortune Global 500. A maior parte desse investimento, nos próximos cinco anos, ocorrerá no pré-sal.

Na Petrobrás desde março de 2019, a diretora já sinalizou como será a condução das finanças da empresa daqui para frente. Em evento recente com investidores, disse que as metas para o ano que vem são desafiadoras, para tornar a companhia mais competitiva no exterior e também no Brasil, que deve receber novos investidores  com a abertura do mercado, como o de refino.

A Petrobrás fechou acordo com o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) para vender ativos de gás natural e, assim promover a desconcentração do mercado. Além disso, quer se desfazer de metade da sua capacidade de produção de derivados de petróleo.

No mesmo encontro com investidores, ela afirmou também que a petroleira merece ter de volta o grau de investimento concedido pelas agências de classificação de risco, perdida em 2015.

Sob sua gestão, em seis meses, a Petrobrás alterou algumas regras de pagamento de dividendos. Quando o endividamento bruto for inferior a US$ 60 bilhões, os acionistas poderão ficar com 60% da diferença ente o fluxo de caixa operacional e os investimentos. Nesta semana, ainda foi aprovada alteração no estatuto social da empresa para deixar claro que o retorno aos investidores poderá ser distribuído em até seis meses. Até então, o compromisso era de três meses.

No segundo trimestre deste ano, já com a assinatura de Andrea, a Petrobrás registrou lucro de R$ 18,86 bilhões, recorde para um trimestre.

Mas foi no setor de mineração, na Vale, e não no mercado de petróleo, que a executiva construiu sua carreira. Ela ingressou na mineradora há 25 anos, como trainee. “Aprendi muito enquanto preparávamos a Vale para ser uma empresa privada. Participar do crescimento de uma empresa que basicamente produzia minério de ferro para se tornar diversificada, não só em produtos, mas em geografia e cultura, foi uma grande oportunidade”, afirmou Marques em uma campanha de comunicação promovida pela Vale quando ainda fazia parte do quadro da companhia.

Na mineradora, a executiva também ocupou cargos de confiança na área financeira, embora sua formação seja de engenheira de Produção pela UFRJ, com pós-graduações em finanças e em gestão. Quando deixou a mineradora, era chefe de Tesouraria Global e, antes disso, foi diretora Financeira da Vale Canadá. Também atuou na Vale como gerente e, no início da sua vida profissional, como analista de Finanças.

“Meu principal desafio foi evoluir de um perfil técnico para o de uma profissional capaz de gerenciar recursos humanos ao redor do mundo”, disse a atual diretora da Petrobrás sobre sua história profissional.

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