Diretores evitam falar sobre denúncias e vendas de ativos

CENÁRIO: Mariana Sallowicz, Sabrina Valle e Vinícius Neder

O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2014 | 02h10

Os planos da Petrobrás para a venda de ativos e as investigações internas sobre denúncias de corrupção tiveram respostas resumidas da diretoria da companhia, em entrevista coletiva realizada ontem. A presidente Graça Foster disse que as metas de desinvestimento não serão reveladas para evitar especulação do mercado.

As vendas, principalmente no exterior, são parte das premissas para a companhia financiar seu plano de investimentos. Mas Graça quis poupar a empresa de novas cobranças do mercado.

No ano passado, a empresa informou meta de vender US$ 9,9 bilhões de ativos no exterior até 2017, a maior parte em 2013, e acabou sendo cobrada por vendas que atrasaram e não se concretizavam.

Desde outubro de 2012, foram 21 operações, levantando US$ 10,7 bilhões. Apenas no ano passado, foram US$ 7,3 bilhões. A companhia terá agora uma faixa de meta de vendas, mas os números serão guardados com grande reserva.

O plano de negócios 2014-2018 trouxe um aumento de 90,2% nos investimentos da área internacional (US$ 9,7 bilhões) em relação às previsões do ano passado, ambas para um período de cinco anos.

Desta vez, a presidente informou que o foco será na área de produção e exploração (E&P), especialmente, em encontrar petróleo, mais do que gastar com produção. "O "E" de E&P terá maior peso", disse. "Queremos reserva."

De acordo com a executiva, a área internacional é "importantíssima" e complementa as reservas da companhia.

As medidas representam uma mudança de postura da empresa, que nos últimos anos vinha encolhendo investimentos no exterior para concentrar esforços no pré-sal brasileiro. "(A área internacional) cumpre papel muito importante de buscar melhor qualidade no portfólio".

A presidente da Petrobrás também não quis comentar ontem avanços na investigação interna sobre denúncias de que a holandesa SBM, especializada no afretamento de plataformas, teria pago propina para fechar negócios com a estatal. Segundo ela, uma comissão interna busca "explicações e respostas".

Questionada se a companhia estaria disposta a colaborar com uma comissão criada no Senado para apurar as denúncias, Graça disse que a Petrobrás é uma empresa disciplinada internamente e atende a determinações.

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