Diretoria da Varig aceita proposta de US$ 400 milhões

A diretoria da Varig decidiu recomendar ao Conselho de Administração da empresa que aceite, para posterior aprovação dos credores, a nova proposta de compra apresentada ontem pela Varig Log. A oferta, de US$ 400 milhões, amplia em US$ 50 milhões a proposta anterior, feita em 9 de abril, e incorpora, segundo a Varig, algumas sugestões das partes envolvidas nas negociações. Segundo apurou o Estado, as discussões sobre como equacionar o endividamento anterior da companhia com as dívidas correntes da Varig estiveram no centro das negociações. Executivos das duas empresas confirmaram que este era um dos pontos mais importantes. De acordo com comunicado distribuído no fim da noite de ontem, a diretoria da Varig encara essa proposta de compra como uma "solução de mercado" para recuperar a companhia. Ontem, os funcionários da Varig assinaram protocolo de entendimento concordando com o corte de pessoal e redução salarial de 30%, conforme o plano emergencial da consultoria americana Alvarez & Marsal. O quadro da empresa deverá cair de 9,8 mil funcionários ativos para 6,9 mil - uma redução de 2,9 mil pessoas. A decisão foi considerada "histórica" entre lideranças sindicais. "Os trabalhadores não vão impedir que a empresa tenha o tamanho adequado à sua operação atual, desde que seja dentro das regras trabalhistas", disse o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA), Gelson Fochesato. Presidente da Associação de Pilotos da Varig (Apvar) de 1991 a 2001, ele disse que nunca havia sido feito um acordo desse tipo. Desde o ano passado, o peso da companhia no mercado diminui. A Varig voa hoje com 54 dos 71 aviões da frota e ocupa 19% do mercado doméstico e 70% dos vôos internacionais feitos por empresas nacionais. Com o enxugamento, a relação empregados por avião, em 182, cairá para algo perto 120. O acordo foi definido em reunião ontem na sede da empresa. As demissões serão precedidas da abertura de novos planos de demissão voluntária e aposentadoria incentivada. "É duro dizer. Ou fecha a Varig ou ela é salva com menos emprego", disse a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino. Segundo ela, os administradores judiciais na empresa alertaram para o risco de falência, caso os envolvidos no processo não fizessem um esforço. "Assinamos e dissemos que não será por isso que a Varig vai parar." Selma informou ainda que a reunião de ontem foi sugerida pela 8ª Vara Empresarial, onde corre o processo de recuperação judicial da Varig, em reunião realizada na quarta-feira com as partes envolvidas.

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