Dirigentes do Fed discordam sobre fim dos estímulos

Para Plosser, há temor que o programa eleve a inflação; Bullard vê risco em apostar em previsões

Álvaro Campos, da Agência Estado,

12 de julho de 2013 | 16h39

JACKSON HOLE - Dois dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) deram declarações opostas sobre o fim dos estímulos à economia dos Estados Unidos nesta sexta-feira, 12. A divisão já havia aparecido na ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), divulgada na véspera.

O Fed compra, todos os meses, US$ 85 bilhões em papéis do Tesouro e títulos hipotecários, a fim de estimular o crescimento e os empregos, por meio da redução dos custos dos empréstimos. Durante as últimas semanas, o Fed apresentou um plano para reduzir a compra em algum momento este ano, desde que a economia melhore.

O presidente do Fed da Filadélfia, Charles Plosser, defendeu em discurso que a instituição comece a reduzir as compras de bônus e encerre o programa até o fim do ano. Ele tem sido contrário às compras de ativos do banco central, por temer que elas possam desestabilizar os mercados e elevar a inflação.

Ele disse que qualquer benefício das compras é ofuscado pelos custos e que quanto mais tempo elas durarem, maiores serão os riscos, especialmente quando o Fed desejar começar a reduzir os esforços de estímulo. Plosser não é membro votante do Fomc atualmente.

"Chegou a hora de nós reduzirmos as compras de ativos e nos comprometermos com uma estratégia de saída que normalize a política monetária", afirmou Plosser. Segundo ele, essa redução nos estímulos não constitui um aperto na política monetária - o que ainda está muito distante. O representante do Fed alertou ainda que a reação dos mercados financeiros pode servir como um sinal de cautela. "Os mercados provavelmente não serão pacientes enquanto nós desfazemos essa acomodação extraordinária. A recente volatilidade nas taxas de juros pode ser uma prévia do que está por vir", afirmou.

Já o presidente do Federal Reserve de Saint Louis, James Bullard, afirmou que o banco central dos EUA não pode guiar suas decisões de política monetária somente com base em previsões. Ele diz que muitas vezes já foi surpreendido com um desempenho econômico abaixo do esperado. "O Fed deveria esperar, ver se realmente há uma melhora nos próximos meses, trimestres", afirmou."Tendo em vista o recente desempenho das projeções, nós devemos ser cuidados em utilizar uma previsão otimista para justificar as atuais decisões políticas. Uma postura mais adequada seria esperar para ver se resultados macroeconômicos melhores se concretizam", afirmou Bullard.

Segundo ele, a recente alta nos juros nos EUA não é justificada pelos dados econômicos melhores, nem pode ser associada com um aumento nas expectativas de inflação. Em vez disso, esse movimento parece ser guiado pelo crescente otimismo com o desempenho econômico futuro. Segundo ele, o cenário econômico atual é misto. "Enquanto alguns indicadores do mercado de trabalho melhoraram desde que nós lançamos o programa de compra de bônus, outros não avançaram", afirmou.

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