DIs caem e Selic pode fechar 2012 em um dígito

Perspectiva de corte de 0,5 ponto porcentual está praticamente consolidada entre alguns analistas financeiros

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

30 de novembro de 2011 | 16h59

O mercado de juros futuros usou as notícias que trouxeram nova valorização dos ativos para começar a "rolar" o ciclo de afrouxamento monetário. Com a perspectiva praticamente consolidada de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzirá a Selic em 0,5 ponto porcentual na última reunião do ano, os agentes, inicialmente, projetavam algo próximo a mais dois cortes de igual intensidade em 2012. Hoje, porém, as notícias de que a China decidiu reduzir o compulsório, que os bancos centrais de grandes economias adotaram medidas para ampliar a liquidez, que o Ministério da Fazenda deve anunciar novas ações para estimular o crédito e que o Conselho Monetário Nacional aliviou o custo dos bancos pequenos e médios nas operações de venda de carteiras de crédito fizeram os investidores ver a situação internacional como ainda mais grave, com o crescimento da economia global seriamente comprometido no próximo ano. Isso ampliou as chances estampadas na curva a termo de a taxa básica terminar 2012 em um dígito, com mais três cortes de 0,5 ponto porcentual.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012, com giro de 959.425 contratos, cedia a 10,849%, de 10,88% no ajuste. O DI janeiro de 2013 (331.145 contratos) caía a 9,63%, de 9,68% ontem, enquanto o DI janeiro de 2014 (223.840 contratos) estava em 9,85%, de 9,93%. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (36.015 contratos) marcava 10,63%, de 10,75% na véspera, e o DI janeiro de 2021 (10.975 contratos) recuava a 10,83%, de 10,94% no ajuste.

Na visão do analistas, a ação dos bancos centrais hoje foi positiva, mas não conseguirá alterar de forma significativa o fraco crescimento global em 2012. O Federal Reserve, dos EUA, o Banco do Canadá, Banco da Inglaterra (BOE), Banco do Japão (BOJ), Banco Central Europeu (BCE) e Banco Nacional da Suíça (SNB) concordaram em reduzir o preço dos acordos temporários de swap de liquidez em dólar existentes em 0,50 ponto porcentual. Mais cedo, a China anunciou o corte do depósito compulsório em 0,50 ponto porcentual, para 21% no caso dos grandes bancos, um indício claro de que a economia do gigante asiático precisa de estímulo.

No âmbito doméstico, o CMN editou uma regra para a transição "suave" dos bancos para a resolução 3.533 do Banco Central, que quer aproximar o Brasil do padrão contábil internacional. Pela nova medida do Conselho, os bancos estão liberados para contabilizar, temporariamente, "eventuais despesas geradas pelas operações de venda de carteiras ao longo do prazo da operação ou até 2015". Isso, na visão de analistas, facilitará especialmente a vida dos bancos pequenos e médios.

Por fim, ainda hoje, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, informou que o governo deve anunciar, "no máximo até a semana que vem", medidas para estimular o crédito no País.

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