Minfra/Divulgação
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Discurso ambiental contra Ferrogrão é 'cortina de fumaça' de quem teme competição, diz ministro

Em primeira fala pública mais incisiva sobre bastidores do empreendimento, Tarcísio de Freitas disse que há uma utilização de 'inocentes úteis' para barrar a ferrovia; andamento do projeto está parado em razão de uma decisão liminar do STF

Amanda Pupo e André Borges, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2021 | 17h47

BRASÍLIA - O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, expôs na última sexta-feira, 23, o conflito que se colocou à frente do maior projeto ferroviário do País, a Ferrogrão. Numa primeira fala pública mais incisiva sobre os bastidores do empreendimento, Freitas disse que há uma utilização de "inocentes úteis" para barrar a ferrovia e que o discurso ambiental contra a obra é uma "cortina de fumaça" criada por quem não quer o ambiente de competição que será imposto com o novo traçado.

"A questão grande da Ferrogrão é que ela vai ser o maior regulador de tarifa do Brasil. Então aqueles que vão competir com a ferrovia não querem a Ferrogrão. E aí é muito fácil usar do discurso ambiental contra a ferrovia (...). E o cara que cobra hoje o frete rodoviário ou faz o transporte de ferrovia cobrando o preço rodoviário não quer que essa ferrovia saia. O jogo é muito claro", disse o ministro durante uma live promovida pelo Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará.

Atualmente, o andamento do projeto está parado em razão de uma decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). O processo envolve a alteração dos limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará. Além da ação no STF, o Ministério Público Federal (MPF) e mais cinco organizações da sociedade civil pediram ao Tribunal de Contas da União (TCU) que o projeto fosse barrado provisoriamente, neste caso por uma discussão envolvendo o momento de consulta aos povos indígenas afetados pela ferrovia.

Durante a declaração na última sexta, Freitas sugeriu que ONGs e povos indígenas estariam sendo usados por interesses diversos ao da proteção ambiental e do respeito a essas comunidades. "Aí vou lá, patrocino uma ONG, pega um indígena e boto debaixo do braço, vou lá na redação de um jornal pra dizer que a ferrovia é ruim, ou contrato consultor para dizer que a ferrovia não faz sentido", disse o ministro.

Freitas também rebateu alegações de que a Ferrogrão não seria um empreendimento viável. Segundo ele, o governo avançou no projeto porque recebeu o retorno positivo da iniciativa privada. "Se não fizesse sentido (a ferrovia), nós já teríamos abandonado", afirmou o ministro, que argumentou ainda que a Ferrogrão se traduz num balanço ambiental extremamente positivo. "Sob todos os aspectos, a Ferrogrão é um grande negócio. Então ela vai acontecer", disse.

O projeto de concessão da Ferrogrão prevê 933 quilômetros de trilhos, ligando Sinop (MT) a Miritituba (PA), nas margens do Rio Tapajós, no Pará. Só para implantar a ferrovia serão necessários R$ 8,4 bilhões de investimentos privados. A obra é projetada para ser o principal centro de escoamento de grãos de MT, papel que hoje é exercido pela BR-163.

O ministro comentou ainda o que seria, para ele, um contrassenso no discurso de quem se opõe a Ferrogrão. "O troço é tão maluco, que quando a gente fala em pavimentar a BR-319 vem os ambientalistas (e dizem) 'um absurdo fazer a pavimentação da B-319, caberia aqui uma ferrovia'. Quando a gente fala em fazer a Ferrogrão, (dizem) 'um absurdo fazer uma ferrovia aqui. Aqui tem que duplicar a BR-163'. Espera aí, gente, decide aí. Esse papo é de maluco", comentou o ministro.

"Na verdade, há uma utilização de inocentes úteis para barrar um projeto de uma ferrovia que vai ser transformadora para a logística. Que vai deixar nosso produtor o mais eficiente do mundo - que ele já é eficiente da porteira para dentro e vai ser eficiente da porteira para fora. Que aquele cara que já produz 80 sacas por hectare contra 40 sacas por hectare do americano vai começar a transportar grãos com 40% menos de frete", afirmou Freitas.

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