Discurso de Bernanke não anima mercados e Bovespa cai 3%

Presidente do Fed endossa apoio a estímulo fiscal, mas alerta para efeitos no déficit orçamentário dos EUA

Agência Estado,

17 de janeiro de 2008 | 15h06

O tão aguardado discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, não produziu o resultado previsto nos mercados mundiais nesta quinta-feira, 17. Apesar de endossar seu apoio ao plano de estímulo fiscal "temporário", ele alertou para o efeito que isto poderia ter no déficit orçamentário dos EUA. As bolsas reagiram em baixa, pressionadas também com as preocupações com a saúde da economia norte-americana, após o balanço ruim do banco Merrill Lynch e de mais indicadores econômicos mostrando enfraquecimento da atividade nos EUA.  Veja também:Juro americano pode ter corte 'substancial', diz BernankeMerrill Lynch tem prejuízo de US$ 9,83 bi no 4º trimestre Entenda a origem da crise nos EUA   Às 15h13, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrava queda de 3,46%, operando abaixo dos 57 mil pontos. A Bolsa opera com volatilidade nesta quinta, reagindo ao noticiário forte, mas que não consegue dissipar as dúvidas em relação ao grau de desaquecimento da maior economia do mundo. Após dois dias de quedas expressivas (3,67% na terça-feira e 1,89% na quarta), a Bovespa abriu ensaiando um movimento de correção técnica, estimulada pela recuperação nos mercados acionários globais. O balanço ruim do banco Merril Lynch, que divulgou prejuízo no quarto trimestre de US$ 9,83 bilhões - US$ 12,01 por ação, quase três vezes mais que o previsto pelos analistas (US$ 4,57 por ação) - e baixa contábil de US$ 11,5 bilhões ameaçou a melhora que vinha sendo ensaiada, mas os investidores conseguiram absorver mais essa perda no setor financeiro. Mas o tão esperado discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, no início desta tarde, frustrou os investidores e as ordens de vendas voltaram a dominar os negócios. As bolsas em Nova York, que vinha tentando se sustentar em alta, também passaram para lado negativo. O índice Dow Jones recuava 0,79% e o Nasdaq cedia 0,46%. Na Europa, as bolsas também mergulharam no vermelho. Bernanke repetiu a promessa de corte substancial de juros na reunião do final deste mês. Ele disse que o Fed está "preparado para agir de maneira decisiva e precisa e, em particular, está pronto para conter qualquer dinâmica adversa que possa ameaçar a estabilidade econômica e financeira". Mas disse que o Fed não prevê uma recessão. Os comentários do presidente do Fed ocorreram ao mesmo tempo em que era divulgado um dado bem enfraquecido sobre a economia norte-americana, o que contribui para potencializar a reação negativa do mercado. O índice de atividade industrial regional do Fed da Filadélfia caiu a -20,9 em janeiro, ante recuo de 1,6 em dezembro e veio muito abaixo do nível de -1,5 previsto por analistas. Na Bovespa, operadores dizem que os investidores estrangeiros continuam predominantemente na ponta vendedora. Enquanto continuar havendo saída forte de investidores estrangeiros, a Bovespa dificilmente terá forças para ter uma recuperação sustentada. "Agora, é preciso esperar a volta do recurso estrangeiro, o mesmo que fez a Bovespa subir mais de 70% em dólar no ano passado", disse um analista.

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