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Discussão com UE pode superar 4 meses, alerta ministro

Stephanes lembrou que os europeus não questionam a sanidade do rebanho brasileiro, mas a rastreabilidade

Fabíola Gomes, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2008 | 15h46

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse nesta segunda-feira, 11, que as discussões sobre o embargo europeu à carne brasileira podem durar mais de quatro meses. Segundo o ministro, será preciso rever o número de propriedades que poderão exportar carne para a União Européia (UE). "Do jeito que está com 300 propriedades, não é possível encher um contêiner para exportar para UE. Com este número não há densidade para as exportações: precisamos de 3 mil a 5 mil propriedades", afirmou. Ele explicou ainda que o governo terá que discutir como será o processo de agregação de novas propriedades à lista.Stephanes lembrou que os europeus não questionam a sanidade do rebanho brasileiro, mas a rastreabilidade. Segundo ele, o erro do Brasil foi aceitar as mesmas regras aplicadas à rastreabilidade na Europa. "Elas foram criadas por causa do mal da vaca louca, doença que nós não temos", disse. A expectativa do governo é apresentar aos europeus a lista com as propriedades dentro das regras atuais, que Stephanes espera sejam revistas. O ministro afirmou que o governo irá fechar hoje a lista com o número de propriedades que será apresentada à UE, em Bruxelas, na próxima quinta-feira.Alívio fiscalO ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues considera que o embargo europeu à carne brasileira é um problema de ordem comercial. "Ao assumir a liderança no setor, vieram também os oponentes", afirmou. Para ele, uma das saídas que o governo poderá adotar seria o alivio fiscal, já que a rastreabilidade implica em mais custos para o produtor disposto a exportar para o bloco.Sobre a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o embargo europeu, Rodrigues afirmou que a OMC será um foro importante para a discussão. "A OMC pode ser a saída para um foro de discussões. Ainda não é hora de retaliações. Mas também não se descarta uma guerra comercial", disse.As declarações foram feitas após reunião realizada hoje na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na qual foram apresentadas as perspectivas para o setor nos próximos dez anos e os custos de produção para a safra 2007/08.

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