carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Discussão é alerta para investidores

BC atua sobre as expectativas, para tentar conter a especulação

Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

Antes de lançar mão de instrumentos como a taxação do capital externo com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o Ministério da Fazenda acredita que é preciso avançar no corte dos juros e na compra de dólares para as reservas internacionais, segundo relato de fontes ouvidas pela Agência Estado. A avaliação é que esses dois instrumentos são mais eficientes, neste momento, para conter uma escalada da taxa de câmbio. O eventual uso de IOF, que não deve ser adotado no curto prazo, é uma ferramenta adicional para situações específicas no mercado de câmbio, como na hipótese de ingresso maciço de capitais, em proporção bem superior à atual.As declarações feitas no Senado pelo presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, na quarta-feira, sobre a possibilidade de uso do IOF para evitar a valorização excessiva do real, chamaram a atenção de integrantes da equipe do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ninguém na Fazenda nega que esse instrumento esteja no arsenal. Mas esses assessores consideram que o sempre cauteloso Meirelles pretendeu alertar os investidores para conter a especulação.DERIVATIVOSA avaliação de que o presidente do BC está atuando sobre as expectativas é compartilhada pelo Palácio do Planalto. Fontes consultadas pela Agência Estado confirmam, no entanto, que o IOF deve ser uma alternativa no caso de uma especulação desenfreada com o câmbio. Existe o temor que movimentos especulativos possam estimular ações de risco, como as operações com derivativos, feitas no ano passado por empresas como Sadia e Aracruz.Hoje, não há apostas que empresas estejam operando agressivamente com derivativos. De qualquer forma, a valorização do real preocupa o governo, especialmente no contexto da crise global - um grande obstáculo às exportações.A Fazenda concorda com o receituário para que o BC avance na compra de dólares para reforçar as reservas. E defende o esforço para diminuir o custo dessa política de acumulação de reservas, ao mesmo tempo em que insiste na continuidade do corte dos juros. Exercícios de economistas do governo avaliam que juros menores ajudariam a conter o ingresso excessivo de dólares, ao desestimular operações de arbitragem - em que os investidores buscam ganhar com a diferença dos juros mais baixos, lá fora, e mais altos, no Brasil.O BC relativiza o papel da arbitragem e argumenta que a entrada de dólares tem sido determinada por outros motivos, como a situação melhor do Brasil, a recuperação do preço de commodities exportadas pelo País e o movimento mundial de queda do dólar. Tanto que a maior parte do capital que tem ingressado no País tem se dirigido para ações e não para títulos de renda fixa.O BC pondera também que uma redução mais rápida da Selic poderá exigir um ajuste dos juros para cima no momento em que a economia se recuperar, o que deve ocorrer a partir do fim deste ano, de acordo com os cenários com que trabalham os economistas do governo.A visão da equipe de Mantega é a de que o cenário inflacionário hoje não impõe qualquer restrição para que o BC busque novas mínimas para a Selic. "Se tiver que subir um pouco o juro em 2010, qual o problema?'', ponderou uma fonte da Fazenda.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.