Discussão sobre câmbio é mais ampla que o comércio, diz Azevêdo

Diretor da OMC disse que não se pode esperar que apenas a organização vá resolver a questão cambial

Beatriz Bulla, da Agência Estado,

20 de junho de 2013 | 15h37

SÃO PAULO - O diretor-geral eleito da Organização mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou que a questão cambial é muito mais ampla do que as discussões que competem à OMC. "A OMC não tem competência nem jurisdição para tratar de todos os temas (que se relacionam ao câmbio)", disse.

Azevêdo afirmou que há na OMC uma discussão sobre o impacto comercial do câmbio, mas que "não vê como se possa esperar que uma organização apenas vá resolver a questão cambial". Os países não usam a valorização ou desvalorização do câmbio puramente como instrumento de comércio. "Na maioria das vezes, as medidas são adotadas em um contexto maior. O câmbio não é uma variável da economia que se lida de maneira cirúrgica."

Azevêdo disse ainda que acha improvável que assimetrias cambiais tenham "um curso sem qualquer tipo de controle". "A taxa de câmbio flutua dentro de certos limites. Esses limites são estabelecidos de governo a governo", afirmou.

Acordo entre EUA e UE. Azevêdo disse que não será fácil a União Europeia e os Estados Unidos chegarem a um acordo comercial bilateral. "Temos de ver como isso vai avançar e o grau de ambição que sairá do acordo", afirmou. De acordo com ele, as tarifas já estão baixas entre os dois blocos e portanto não haverá grande impacto em termos de preferência tarifária. "Haverá impacto maior em termos de disciplina", afirmou. "A uniformização de parâmetros terá impacto no resto do mundo, mas não vai ser fácil", completou.

Ele comentou que é normal que acordos bilaterais aconteçam, o problema é o sistema multilateral caminhar muito devagar. "À medida que acordos bilaterais avançam, se incorporam ao sistema multilateral. O problema não é o bilateral caminhar, mas o multilateral ficar paralisado", afirmou.

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