Discussão sobre estatal emperra plano de internet

Discussão sobre estatal emperra plano de internet

Análise:

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2010 | 00h00

Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram seu plano nacional de banda larga. Se até eles precisam de um plano, com um mercado daquele tamanho, por que o Brasil não precisaria? Sem dúvida, precisamos muito mais. Mas a discussão aqui corre o risco de não dar em nada por causa da polêmica criada pelo governo com a proposta de ressuscitar a Telebrás como gestora do plano.

Vale a pena comparar o que ocorre lá com o que acontece por aqui. Existem cinco diferenças importantes:

1) O plano dos EUA foi elaborado por um grupo técnico da agência reguladora. Aqui, a Anatel é coadjuvante.

2) A proposta americana passará pelo crivo do Congresso. No Brasil, o plano de banda larga deve ser criado por decreto.

3) O plano americano não prevê ressuscitar uma estatal que é alvo de especulação em bolsa. No Brasil, vários integrantes do governo, incluindo o presidente Lula, falaram na volta da Telebrás, fazendo suas ações dispararem, sem que a sua volta fosse confirmada oficialmente ao mercado.

4) Os EUA não planejam usar a rede óptica de uma empresa comprada por R$ 1. O governo brasileiro quer a infraestrutura da falida Eletronet, que pertence a um empresário ligado ao ex-ministro José Dirceu.

5) O plano de banda larga americano não está sendo anunciado às vésperas da eleição.

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