Discussões dentro do governo paralisam venda de carros

As discussões para a criação de um programa emergencial que ajudaria na recuperação do mercado de automóveis paralisaram as vendas no setor. Desde a semana passada, uma série de informações desencontradas entre membros do governo provocaram desconforto entre as montadoras, fabricantes de autopeças e metalúgicos, que vinham mantendo as negociações em sigilo. O motivo era evitar que anúncios de possíveis medidas envolvendo a redução de impostos e linha especial de financiamento provocassem a paralisação dos negócios num momento em que o mercado registra quedas consecutivas nas vendas. O que, de fato, ocorreu, afirmam montadoras e revendedores. Na semana passada, em meio à antecipação pela imprensa de detalhes da proposta que o setor automobilístico entregou ao governo para análise, o próprio ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, afirmou que o programa seria anunciado ainda este mês e incluiria a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e outros benefícios. O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, advertiu os metalúrgicos do ABC na noite de ontem para não esperarem mágicas do governo federal que permitam a retomada das vendas da indústria automobilística. Ao falar para cerca de 500 filiados do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, o ministro disse que o governo fará ?tudo aquilo que puder no ambiente geral econômico para favorecer o crescimento?. Furlan já havia admitido ontem ao Estado que havia dúvidas dentro do governo sobre a execução do plano emergencial para o setor, que ele mesmo havia antecipado na semana passada. Entretanto, não quis admitir que está travando sua primeira queda-de-braço com o Ministério da Fazenda - uma briga freqüente na administração anterior que, em oito anos, contabilizou sete titulares da área hoje liderada por Furlan, enquanto manteve apenas Pedro Malan nos atuais domínios de Palocci.Carro do trabalhadorOntem foi a vez do ministro do Trabalho, Jaques Wagner, retomar o assunto em São Paulo ao afirmar que o governo estaria estudando com as montadoras e os metalúrgicos a possibilidade de se desenvolver um "carro do trabalhador", mais popular que o existente. O modelo seria vendido com financiamento especial (juros menores e prazos mais longos) para beneficiar consumidores com renda média de dez salários mínimos. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) vem se negando a dar detalhes do projeto. Apenas admitia que as negociações estavam em pauta, mas que qualquer medida só deveria ser adotada no longo prazo. Ontem, um executivo de montadora reclamava de que as declarações desencontradas de membros do governo paralisaram ainda mais o mercado, que passa por um "momento de agonia".Leia mais sobre a discussão sobre as medidas de ajuda ao setor automotiva e as reações de representantes do segmento nos links abaixo.

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