Discussões sobre retirada de estímulos devem ocorrer no 1º trimestre, diz BCE

Segundo membro do conselho da instituição financeira, retirada de medidas dependerá da saúde dos bancos

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

20 de agosto de 2010 | 08h51

A velocidade com que o Banco Central Europeu (BCE) irá retirar as medidas de estímulo econômico dependerá da saúde dos bancos na zona do euro e as discussões sobre a retirada das medidas de estímulo estarão concentradas no primeiro trimestre, disse o presidente do Bundesbank e membro do conselho do BCE, Axel Weber, em entrevista concedida à TV Bloomberg nesta sexta-feira.

"Acredito estar claro que precisamos retomar o procedimento para uma normalização, retirando as medidas excepcionais", afirmou Weber. "Mas isso não depende do tempo ou é um processo dirigido por piloto automático; é muito dependente da condição da saúde do sistema financeiro e do sistema bancário", disse.

Os comentários sugerem que mesmo os mais conservadores no conselho de governadores do BCE ainda estão mais preocupados com a fragilidade dos bancos da zona do euro do que com a inflação. Weber disse esperar que o crescimento econômico na Alemanha desacelere no segundo semestre, garantindo que a inflação fique sob controle.

Weber afirmou ainda que seria "inteligente" não mudar a política do BCE de oferta de liquidez ilimitada no leilão de refinanciamento para três meses de outubro e que "grande parte das discussões sobre a continuidade (do processo) de retirada estará concentrada no primeiro trimestre".

O BCE colocou em prática cinco medidas ortodoxas para conter a crise nos meses seguintes ao colapso do banco norte-americano Lehmann Brothers em setembro de 2008, além de cortar drasticamente a taxa de juro.

Apenas duas de tais medidas foram completamente retiradas até agora: a oferta de liquidez ilimitada para períodos de seis a 12 meses e o programa de suporte de 60 bilhões de euros para bônus garantidos por hipotecas ou títulos de governos. Mas diante das circunstâncias das economias, o BCE foi forçado a estender e modificar as medidas, enquanto as autoridades insistem que elas continuam sendo "temporárias".

Na entrevista, Weber comentou sobre críticas feitas anteriormente em relação à decisão do BCE, em maio, de comprar os bônus de alguns governos da zona do euro, dizendo que tal política teve apenas um pequeno resultado na estabilização do mercado de bônus, que ficou congelado em consequência de temores sobre a solvência das economias mais fracas da zona do euro.

"O que está acontecendo é que o mercado está reajustando os preços dos papéis de dívida soberana", afirmou Weber. "Acredito que qualquer intervenção no mercado pode suavizar a transição para um novo equilíbrio, mas o mercado tem de encontrar esse novo equilíbrio e com certeza, o preço da dívida soberana de alguns países periféricos da Europa não serão os mesmos de antes da crise", observou.

Ele destacou que ainda é muito cedo para dizer que a zona do euro saiu da crise, que está em seu quarto ano. Mas observou que as discussões sobre um novo mergulho na recessão entre as maiores economias industriais são "um pouco exageradas". "Não enfrentamos grandes problemas", disse Weber. "A recuperação continuará. De todo o modo, o cenário parece muito melhor do que há um ano". As informações são da Dow Jones.

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