Discutir imposto com agricultores é problemático, diz Wedekin

Um dia depois de anunciar o plano de safra, medidas emergenciais e ações estruturais para o agronegócio, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, comentou os pedidos dos agricultores que ficaram de fora do pacote anunciado na última quinta-feira. Encerradas as negociações com outras áreas do governo, o ministério não conseguiu reduzir os impostos incidentes sobre a produção, e os agricultores ficaram sem ações na área de logística - dois itens da pauta de reivindicações.Wedekin lembrou que "a parte de impostos é sempre problemática", pois, segundo ele, as mudanças precisam passar pelo Congresso Nacional. "Não houve tempo de trabalhar nessa direção", disse. Comenta-se nos corredores do ministério que a área econômica do governo foi contra a redução de impostos. Ele adiantou, no entanto, que a questão da logística ainda está sendo avaliada. "O governo está trabalhando e medidas serão anunciadas", completou.O secretário não quis aprofundar o tema, mas disse que as medidas reduzirão os custos de produção da atividade agrícola. "Optou-se por não fazer o lançamento ontem porque as decisões ainda não estavam absolutamente consolidadas", explicou. Ele disse que as medidas para a infra-estrutura serão locais. Situação melhor Wedekin afirmou ainda que "o cenário hoje é muito melhor do que o cenário de um mês atrás". As medidas estruturais de apoio ao setor, disse o secretário, "permitirão a continuidade da agricultura brasileira como uma das maiores do mundo"."As regras estão colocadas. Só falta implementá-las", completou. Até o início do plantio, em setembro, o governo tem quatro meses para divulgar as novas regras do plano. No total, o governo disponibilizará R$ 60 bilhões para agricultores familiares e comerciais.Ele também comentou as previsões da iniciativa privada de queda de 30% na área plantada com grãos. "Nunca aconteceu na história da agricultura brasileira uma queda de 30% na área plantada. Isso se fala para algumas regiões, mas a nível nacional nós nunca tivemos queda de área de dois dígitos", afirmou.O secretário disse que o governo trabalha com uma queda de 3% a 4% na área cultivada com grãos. "É raro uma área plantada de grãos variar 5% em relação ao ano anterior", disse. Ele lembrou que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgará a primeira estimativa de intenção de plantio no começo de outubro. Na atual safra, 2005/06, a área plantada somou 47,061 milhões de hectares, contra 49,054 milhões de hectares no ano-safra anterior, queda de 2 milhões de hectares. Garantias Wedekin ressaltou ainda a indicação do governo de liberação de R$ 2,8 bilhões para apoiar a comercialização da safra 2006/07 de grãos, que só será plantada a partir de setembro. A liberação faz parte do pacote de medidas estruturais."É a primeira vez que o governo estará sinalizando um determinado nível de proteção de preço antes do produtor plantar a safra que só será colhida em fevereiro, março e abril de 2007. A medida facilita o planejamento do produtor", comentou o secretário. A idéia do governo é fazer leilões em julho e agosto deste ano para sinalizar preço aos agricultores no período de colheita.O ministério começou 2006 com R$ 650 milhões em caixa para apoiar a comercialização da safra de grãos. Esse valor ganhou reforço de R$ 1 bilhão no começo de abril, quando o governo anunciou o primeiro pacote de ajuda aos agricultores. Em maio, foi anunciado o gasto de R$ 1 bilhão para a apoiar a comercialização de soja, dinheiro que sairá do caixa do governo no ano que vem."É um volume muito significativo", disse Wedekin ao comentar os R$ 2,8 bilhões "prometidos" para 2007. A liberação é compromisso dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, disse.

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