Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

O endividado Hopi Hari é disputado por rivais com projeto de 'Disney paulista'

Em recuperação judicial, parque recebeu oferta que agrada a credores, mas é contestada pelos atuais administradores do negócio

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2021 | 05h00
Atualizado 24 de novembro de 2021 | 17h56

Quando o governo estadual anunciou que a região do interior paulista conhecida como Serra Azul – por causa do shopping que “atravessa” a Rodovia dos Bandeirantes – seria transformada em um complexo turístico com parques temáticos, projeto apelidado como “Disney paulista”, a situação do Hopi Hari deu uma guinada. O parque, que enfrenta há anos uma grave crise financeira e está em recuperação judicial, se viu disputado por rivais. Apesar disso, a recentemente divulgada proposta de venda ainda sofre desafios para sair do papel. 

Apontado como um “zumbi”, por falta de manutenção, o parque passou a ser visto como um problema para a região, que já tem um shopping, um outlet premium, hotéis e o parque aquático Wet’n Wild. O Hopi Hari nega a falta de manutenção, que diz serem constantes. O parque diz, ainda, que investe na revitalização do local, que tem contratado pessoal e que regularizou o pagamento de fornecedores, por exemplo, além do próprio seguro do parque.

Agora, para lucrar com os investimentos previstos na área, um grupo de operadores de parques – Beto Carrero, Playcenter e Wet’n Wild –, ao lado de uma empresa do mercado imobiliário, costurou uma oferta de compra do Hopi Hari, revelada este mês. 

A ideia é de investir R$ 150 milhões no parque, que deve ser rebatizado. Outros R$ 260 milhões iriam para o pagamento de credores, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o fundo de pensão Prevhab, que se posicionou a favor da proposta nos autos da recuperação. Os credores veem a negociação como uma possibilidade de desfecho para um processo que se arrasta há seis anos. O plano dos eventuais novos donos, diante da crise de imagem do Hopi Hari, é rebatizar a atração. 

Obstáculos 

A oferta, porém, pode esbarrar na dívida tributária do parque, segundo apurou o Estadão. O débito é hoje estimado em R$ 700 milhões – segundo fontes, o parque não paga o Fisco há anos. Se a cifra for essa mesma, o valor da dívida da recuperação judicial, de R$ 500 milhões, vai mais do que dobrar. Logo, a viabilidade ou não da proposta dependerá da boa vontade da Receita. O Hopi Hari diz que já regularizou o pagamento de tributos que estão fora do processo de recuperação judicial.

O parque, por já existir, poderia ajudar a decolar o projeto da “Disney” paulista, em uma região de fácil acesso a partir da capital paulista. Uma empresa de esportes náuticos já teria manifestado interesse em investir no local, que poderia ganhar ainda atrações como um autódromo e um campo de golfe, entre outras.

O próprio parque, ao contrário dos credores, não está feliz com a proposta. O presidente do Hopi Hari, Alexandre Rodrigues, afirma que os concorrentes tentam tumultuar o processo de recuperação judicial. E ele diz que a proposta de retomada da administração atual ficará provada como a melhor. Ele define o ativo como uma “noiva disputada”. 

O Hopi Hari pediu na Justiça que a proposta do grupo investidor seja rejeitada. A data da próxima assembleia de credores do Hopi Hari está em aberto. Também sócio do parque, Luiz Abdalla rejeita a ideia da venda para os rivais, mas admite que, sem uma injeção de capital para pagar passivos em aberto, a empresa corre o risco de ir à falência. 

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