Disney vende Miramax por US$ 660 milhões

Gigante de Hollywood deixa negócio de filmes independentes para se concentrar em produções de grande porte

AGÊNCIAS INTERNACIONAIS, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

A Walt Disney Co. vendeu por US$ 660 milhões o estúdio de cinema independente Miramax para a Filmyard Holdings, encerrando meses de negociação, que incluiu ofertas de estúdios rivais como Lions Gate e The Weinstein Co. A Disney havia adquirido a Miramax em 1993 dos fundadores Bob e Harvey Weinstein, por US$ 80 milhões.

De acordo com a Disney, a Filmyard tem como principais investidores o magnata da construção Ron Tutor e a investidora Colony Capital. O maior ativo da empresa é um acervo de cerca de 700 títulos, entre eles diversos vencedores do Oscar de melhor filme. O negócio deve ser oficializado em 10 de setembro.

Oficialmente, a Disney optou por vender a Miramax para se concentrar em projetos mais comerciais da marca-mãe. "Apesar de sermos muito orgulhosos das muitas conquistas da Miramax, nossa atual estratégia para a Walt Disney Studios é de nos concentrarmos no desenvolvimento de grandes filmes sob as marcas Disney, Pixar e Marvel", afirmou em comunicado o presidente executivo da Disney, Robert Iger.

A venda ressalta os planos da Disney de concentrar seus recursos em produções maiores e propriedades que possam gerar uma série de produtos licenciados, como as séries Piratas do Caribe e Toy Story, para maximizar os ganhos em outras mídias.

A maior parte do valor de venda da Miramax se concentra no catálogo de títulos que a empresa acumulou ao longo de seus 34 anos de existência. A empresa não tem filmes em produção no momento. As produções já prontas, mas ainda não lançadas, correm o risco de pularem a fase de cinema e irem direto para o mercado de DVDs.

Após o anúncio do negócio, as ações da Disney fecharam o dia em queda de 2%. Neste ano, o papel da empresa de entretenimento acumula alta de 5,5%.

História. Fundada em 1979 pelos irmãos Weinstein, a Miramax se tornou símbolo do cinema independente americano a partir do início dos anos 90, ainda sob a batuta de seus fundadores. Entre os filmes de sucesso lançados pelo estúdio nesta primeira fase estão Sexo, Mentiras e Videotape e Traídos pelo Desejo.

Nos anos que se seguiram, entretanto, a direção da Disney começou a ficar incomodada com a forma que os irmãos administravam o estúdio e com o crescente gasto nas produções de uma empresa que nasceu para distribuir filmes de baixo orçamento.

Apesar do sucesso de vários títulos e dos prêmios acumulados por filmes como O Paciente Inglês, Shakespeare Apaixonado e Chicago, a relação entre a Disney e os Weinstein se deteriorou ao longo dos anos, o que resultou na saída dos irmãos do negócio, em 2005.

A empresa amargou também vários fracassos custosos ao longo do tempo, como O Grande Ataque (custo de US$ 70 milhões, arrecadação de US$ 10 milhões). Mesmo filmes de prestígio, como Cold Mountain, que custou US$ 83 milhões, não saíram do vermelho. Como comparação, a produção de Sexo, Mentiras e Videotape, por exemplo, havia custado apenas US$ 1,2 milhão, enquanto Pulp Fiction havia consumido US$ 8 milhões.

Depois da saída dos irmãos Weinstein, porém, a Miramax parece não ter acertado o passo. Apesar de alguns êxitos isolados - como Dúvida, com Meryl Streep, e Onde os Fracos Não Têm Vez, dos irmãos Coen -, os fracassos se acumularam. Um dos últimos lançamentos do estúdio ocorreu em dezembro do ano passado: apesar do elenco que incluiu Robert De Niro e Drew Barrymore, Estão Todos Bem rendeu menos de US$ 10 milhões, cerca de terço do custo de produção.

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