Disparada da inflação não assusta em hipótese alguma, diz S&P

'Estando dentro da meta, para nós está ok', afirma presidente da agência de classificação no Brasil

Célia Froufe, da Agência Estado,

10 de julho de 2008 | 15h16

A disparada da inflação atual não assusta a presidente da Standard & Poors (S&P) no Brasil, Regina Nunes, "em hipótese alguma". De acordo com ela, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está dentro da meta de 4,5% com margem de tolerância de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo. "Mesmo tendendo a estar nos 2 pontos porcentuais a mais, estando dentro na meta, para nós está ok", disse. A S&P foi a primeira agência a conceder a classificação de grau de investimento ao Brasil, em abril deste ano.  Veja também:De olho na inflação, preço por preço Entenda os principais índices Entenda a crise dos alimentos  Na elite do mercado mundial Regina disse acreditar que o governo tem ferramentas para lidar com a inflação de maneira eficaz. "Se não tivéssemos essa certeza, não teríamos elevado o País a grau de investimento", considerou. A inflação para ela não é surpresa e grande parte de sua alta, na avaliação da presidente da S&P, vem do exterior, e não está sendo verificada apena nos produtos e serviços de origem doméstica. "A inflação não ocorre do dia para a noite. Existe a necessidade de uso de ferramentas corretas e acredito que em um ou dois anos tudo estará mais equilibrado", disse, acrescentando que não conta com a possibilidade do rompimento do teto de 6,5%. Regina conta, no entanto, com o apoio não só deste governo, mas também dos próximos, e de medidas dogmáticas, ortodoxas, eficazes e independentes. "Política monetária e política fiscal devem convergir para estabilidade da macroeconomia, já que inflação não combina com estabilidade", avaliou. Apesar da alta dos preços, a presidente da S&P no Brasil não acredita que a inflação comprometa o crescimento do País e por isso manteve o intervalo projetado para a expansão do PIB este ano entre 4% e 4,5%. Ela ponderou no entanto que talvez o crescimento da atividade brasileira seja um pouco menos do que a prevista por especialista no início do ano. "Muitos dizem que se o País crescer mais, será um problema maior do que se crescer um pouco menos do que o esperado porque talvez a inflação fique robusta demais", salientou. "Crescer mais as vezes é um problema. Mesmo assim, é um problema bom de ter", acrescentou. Superávit  Sobre a tentativa do governo de elevar a meta do superávit primário de 3,8% para 4,3% do PIB, Regina explicou que a alteração foi vista pela S&P como uma antecipação do governo de que a inflação seria maior do que a prevista. Para ela, uma meta fiscal maior é a maneira mais propícia para segurar a inflação simultaneamente a um aperto monetário. "Meta de 4,3% é bem vista, mas tudo que o governo puder evitar de gastar, dentro do possível, é bom. Sempre vamos ver positivamente aumento de superávit fiscal", disse, ressaltando, no entanto, que essa elevação não pode vir às custas de o governo fazer o mínimo necessário para o País. Para ele, o governo precisa gastar bem, com qualidade, para dar retorno à sociedade da carga tributária próxima a 39%.  Regina Nunes participou nesta quinta da conferência "O Impacto do Brasil na Economia Global", promovida pela Sociedade Americana (Americas Society) e o Conselho das Américas (Council of the Americas) em conjunto com o Movimento Brasil Competitivo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.