Dispensa em montadoras puxa perdas no emprego industrial há 4 meses

A atividade de meios de transporte registrou redução de 7,8% no pessoal ocupado no País em setembro, na comparação anual

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2014 | 11h29

As dispensas de trabalhadores nas montadoras de automóveis e caminhões no País são, há quatro meses, o principal responsável pela queda no emprego industrial, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O pessoal ocupado assalariado na indústria recuou 3,9% em setembro ante o mesmo mês do ano passado.

"O principal impacto foi da atividade de meios de transporte", afirmou Rodrigo Lobo, economista da Coordenação de Indústria do IBGE. "Essa menor produção de veículos automotores que já vem acontecendo há algum tempo se reflete no mercado de trabalho da indústria há quatro meses", acrescentou.

A atividade de meios de transporte registrou redução de 7,8% no pessoal ocupado no País em setembro, na comparação anual. Em São Paulo, maior parque industrial, a queda no número de empregados foi de 7%. O segmento lidera o ranking de impactos tanto sobre o parque industrial paulista quanto sobre o total nacional há quatro meses.

Em relação a setembro do ano passado, houve grande influência ainda sobre o emprego industrial no País das dispensas no setor de máquinas e equipamentos, com queda de 6,9% no número de trabalhadores, e produtos de metal, com recuo de 8,4%. Mas os cortes foram generalizados, atingindo 14 das 18 atividades investigadas.

Na indústria de São Paulo, houve redução de pessoal em 16 das 18 atividades pesquisadas, com destaque para máquinas e equipamentos (-6,1%) e produtos de metal (-9%), além de alimentos e bebidas (-2,7%). 

Folha de pagamento. As sucessivas reduções no número de vagas e nas horas pagas aos trabalhadores explicam o recuo de 1,3% na folha de pagamento da indústria em setembro ante agosto. O emprego industrial diminuiu 0,7% no período, no sexto recuo consecutivo, enquanto a folha teve retração de 0,2%, a quinta taxa negativa seguida. 

"Essas duas variáveis fazem com que uma menor quantidade de pessoas trabalhando gere uma menor massa salarial", explicou Lobo. O economista lembra que o menor dinamismo no mercado de trabalho da indústria reflete o menor ritmo da produção industrial. "Existe um delay, então as perdas sequenciais em meses anteriores na produção estão se refletindo agora no emprego do setor", afirmou.

Um dos termômetros sobre o emprego é o comportamento das horas pagas. O empresário costuma reduzir a jornada de trabalho antes de demitir funcionários. Como as horas pagas já registram redução por cinco meses consecutivos, há risco de novas demissões no parque industrial nos próximos meses.

"O número de horas pagas é encarado como antecessor do que está para acontecer no emprego industrial. Mas não dá para afirmar que vá acontecer. Em linhas gerais, resultados negativos nessa variável implicam em perda no emprego. Mas essa queda de setembro ante agosto veio próxima de 0%, não dá para saber se terá força suficiente para provocar uma redução no emprego", ponderou Lobo.

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