Disputa entre BTG e Parisotto fica mais acirrada

Banco e investidor têm poucos dias para conseguir volume de votos necessários para indicar o presidente do conselho da Usiminas

FERNANDA GUIMARÃES, MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

18 Fevereiro 2015 | 02h01

Enquanto os grupos Nippon Steel, do Japão, e a Ternium, subsidiária do grupo ítalo-argentino Techint, acionistas do bloco de controle da Usiminas, travam um embate público, numa das maiores disputas societárias do País, o empresário Lírio Parisotto, um dos maiores investidores individuais do Brasil, e o BTG brigam nos bastidores para indicar um nome para o conselho de administração da siderúrgica.

Segundo apurou o Estado, o plano de Parisotto é se tornar conselheiro da Usiminas, ainda no mês de março, e indicar seu nome para a presidência do conselho, hoje ocupada por Paulo Penido, nome de confiança do Nippon, segundo fontes.

A L.Par, fundo gerido pela Geração Futuro, que reúne os recursos de Parisotto, tem hoje cerca de 1% das ações ordinárias e 5% das preferenciais da Usiminas e já convocou outros minoritários para recompor o conselho de administração da companhia, que está com um assento a menos desde outubro, quando a Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) vendeu suas ações para a Ternium.

"Parisotto é um empresário habilidoso. Está reunindo investidores na pessoa física e outros fundos de investimentos para conseguir os 5% mais uma ação ordinária para ter assento no conselho e depois poder convocar assembleia para propor o nome do presidente do conselho", disse uma fonte a par do assunto.

A expectativa, segundo fontes com conhecimento no assunto, é que na sexta-feira o investidor tenha o volume de votos necessários para fazer o pedido à administração da Usiminas para definir a décima cadeira no conselho. Se, de fato, conseguir, a assembleia poderá ocorrer dia 16 de março, quando a L.Par tentará incluir na pauta, com apoio dos demais minoritários, não só a eleição de um novo conselho, mas também do novo presidente. A assembleia para renovação do conselho está prevista para 28 de abril.

Conforme a Lei das S/As, os acionistas minoritários que possuem pelo menos 5% do capital social, separadamente ou em conjunto com outros acionistas, têm o direito de solicitar a convocação de assembleia para discutir assuntos que julgarem de interesse da sociedade. É o que pretende fazer Parisotto para ganhar assento no conselho.

Fontes de mercado afirmam que Parisotto quer mais voz na Usiminas por discordar dos rumos da companhia após a briga dos acionistas do bloco de controle. Ele já fez parte do conselho da companhia em 2012, mas pediu licença.

BTG no caminho. A estratégia do investidor, no entanto, acabou sendo mais desafiadora do que se esperava, diante do apetite na aquisição de ações ordinárias por um fundo exclusivo do BTG Pactual, no qual a instituição financeira é a única cotista, segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. O fundo vem comprando ações desde o fim de setembro, quando a briga entre os dois sócios se tornou pública, após a destituição de três executivos do alto escalão da siderúrgica mineira, incluindo o até então presidente, Julián Eguren.

No início do ano, o fundo tinha uma participação de 1% das ações ordinárias da Usiminas - fatia que passou para 2,4% há cerca de 20 dias e hoje está em 3%, segundo fontes. Essa participação já garante ao BTG o posto de segundo maior acionista da siderúrgica mineira fora do bloco de controle, depois da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Benjamin Steinbruch. Fontes afirmaram que a L.Par procurou apoio do BTG para o pleito, sem sucesso.

O banco estaria comprando as ações como investidor. mas nos bastidores começa a ganhar força a versão de que o fundo do BTG teria o apoio da Ternium, para indicar um nome de sua confiança, segundo fontes. O BTG assessorou a Ternium na compra da participação da Usiminas em 2011. A companhia argentina já tem ações fora do bloco de controle, que são os 10% adquiridos da Previ em 2014.

Briga. O movimento dos minoritários começou a ganhar força nos últimos meses. O argumento deles é a falta de acordo entre os controladores, o que trouxe um vácuo para o conselho de administração, visto que a escolha do presidente exige consenso no bloco de controle. Sem chegar a esse consenso, as controladoras poderão ficar de fora no momento da escolha do presidente do conselho, função que poderá recair, assim, nas mãos dos minoritários.

Na prática, o minoritário que reunir 5% mais uma ação poderá fazer a escolha. Hoje, a Usiminas possui nove conselheiros: Nippon e Ternium têm três indicados cada, um é representante dos empregados, um da Previdência Usiminas e um representante dos minoritários, indicado pela L Par. A CSN teve seus direitos políticos na empresa cassados pelo Cade. Procurados, Nippon, Ternium e BTG não comentam. Parisotto não respondeu aos pedidos de entrevista.

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