Disputa entre Lavagna e BC se define amanhã

A partir de amanhã deveficar claro qual será a posição que vai prevalecer nasnegociações do governo argentino com o Fundo MonetárioInternacional (FMI): a proposta do Banco Central ou a visão doMinistério da Economia. A disputa de poder na área econômicaargentina desenrola-se entre o presidente do Banco Central, AldoPignanelli, que defende a liberação do corralito (congelamentodos depósitos bancários), e o ministro da Economia, RobertoLavagna, que combate a idéia de Pignanelli.Enquanto Pignanelli garante ter o apoio do FMI e ojornal Página 12 aponta para um informativo interno do Fundoque defende a concessão de mais poder ao BC argentino, oMinistério encabeçado por Lavagna preparou um documento dealerta para o perigo da velocidade dos saques nos depósitosbancários, que chegariam a 17 bilhões de pesos só neste ano. Esse documento deve ser apresentado amanhã para osrepresentantes do FMI e do setor financeiro que vêm ao país.A missão do FMI, liderada pelo inglês John Thornton, quechegou hoje ao país, deverá encarar nas próximas horas umaagenda de reuniões com o alto escalão do governo Duhalde e comtécnicos do Ministério da Economia. O governo também irá seencontrar com um "conselho de notáveis", integrado pelosex-presidentes dos bancos centrais da Alemanha, Hans Tietmayer,da Inglaterra, Andrew Crockett, da Espanha, Luis Rojo, e doCanadá, John Crow. Os notáveis irão analisar a situaçãoargentina e propor alternativas para as políticas fiscal emonetária.Um dos temas-chave a serem abordados pelosrepresentantes do FMI é uma possível solução para o problema docorralito, depois do fracasso da troca dos depósitos por bônus,proposta pela equipe de Lavagna.Nem dentro da Casa Rosada conseguiu se chegar a umconsenso sobre o que fazer com o corralito. No documento doMinistério da Economia, alerta-se para a fuga de depósitos queocorrerá até o fim do ano, mesmo sem a liberação do corralito.Segundo o texto, até dezembro os bancos perderão 17 bilhões depesos: 6 bilhões de pesos por causa de aproximadamente 200 milações judiciais contra as instituições financeiras, e osrestantes 11 bilhões seriam sacados pouco a pouco até dezembro,seguindo as restrições vigentes para retiradas.O Ministério adverte que, se o corralito for liberadopara as contas correntes, como propõe o BC, o país mergulharárapidamente em uma hiperinflação. De acordo com estatísticasoficiais, a soma bloqueada pelo corralito chega a 26,093 bilhõesde pesos nas contas correntes, além de 30 bilhões de pesos deaplicações fixas.O governo Duhalde precisa decidir o que fazer com ocorralito, que além de ser a principal fonte de descontentamentosocial, é também uma questão essencial para o FMI. O planomonetário argentino e as previsões de emissão de moeda estãointimamente ligados ao destino do corralito e à quantidade dedinheiro que sairá dos bancos. Quando o diretor-gerente do Fundo, Horst Köhler, anunciou os nomes dos membros da comissão denotáveis, ele destacou que as propostas a serem analisadasincluíam uma "âncora monetária para controlar a inflação eoutros aspectos institucionais, como a independência do BancoCentral".Esses itens constituem, em seu entendimento, os"componentes críticos de um programa de estabilização forte eabrangente" para a Argentina.O conselho dos notáveis propõe não apenas mais autonomiapara o Banco Central, mas também mais poder para a entidade, emrelação ao Ministério da Economia. O Fundo quer que o líder doBC seja independente do Poder Executivo argentino. Issogarantiria a manutenção da política monetária, independentementede quem vencer as eleições de março do ano que vem.Notáveis - A atividade do conselho de notáveis começaamanhã pela manhã com uma reunião com Lavagna e Duhalde eencontros com a equipe do Ministério da Economia e,posteriormente, do Banco Central. Na terça-feira (23) eles irãose reunir com parlamentares, representantes do setor produtivo ecom as associações de bancos do país. Michel Camdessus, ex-diretor-gerente do FMI, e Paul Volcker, ex-presidente do banco central dos EUA, deveriam fazer parte do conselho de notáveis, mas acabaram não integrando amissão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.