Disputa fundiária cria ‘vila fantasma’

Justiça manda demolir 619 construções onde moravam 1,5 mil pessoas em área da reserva indígena Maraiwatsede

O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2013 | 02h17

A disputa entre índios xavante e 235 produtores, em sua maioria pequenos agricultores, por uma área de 165 mil hectares ao longo da BR-158 deixou como saldo uma vila fantasma onde moravam 1,5 mil pessoas. A briga, que gerou bloqueios na rodovia, ameaças de morte e comoveu os moradores das cidades do entorno, ampliou o fosso e elevou a tensão na região.

A retirada dos não índios da reserva Maraiwatsede, cumprida integralmente em janeiro, também criou um impasse, ainda sem solução: o traçado da rodovia federal terá que mudar para contornar a terra indígena. Isso, segundo o governo estadual, agregará um custo de R$ 80 milhões ao asfaltamento da rodovia, vital para a conexão do Araguaia com Mato Grosso e o escoamento da produção agropecuária pelos portos do Norte. O desvio, estimado em 60 km, exigiria mais pontes e esforços da engenharia.

Para evitar a volta dos não-índios e assegurar a decisão judicial, um efetivo da Polícia Federal e da Força Nacional segue na área, Mas o acirramento dos ânimos é frequente, já que os índios xavante têm bloqueado a BR para exigir o pagamento de pedágio aos motoristas.

Outras duas BRs (080 e 242), na fila para pavimentação, são alvos de protestos dos índios e, ao que parece, estarão no centro de novas disputas fundiárias.

A imagem das casas destruídas ainda mexe com os produtores. O chamado Posto da Mata, núcleo urbano à beira da estrada, foi colocado abaixo por ordem judicial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O entulho já está cercado pelo mato alto, mas é possível ver televisores, fogões, berços infantis e bicicletas deixadas para trás pelos antigos moradores.

Homologada por decreto presidencial em 1998, a reserva abrange São Félix do Araguaia, Alto Boa Vista e de Bom Jesus do Araguaia. Havia 619 construções no local. Todas foram demolidas. Só sobraram as duas igrejas, uma católica, outra evangélica. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) cadastrou 235 famílias que seriam transferidas a assentamentos em Alto Boa Vista e Ribeirão Cascalheira.

O governo federal prometeu dar assistência técnica e até R$ 3,2 mil para aquisição de alimentos e implementos, além de R$ 25 mil para material de construção.

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