Disputa no celular inteligente derruba mais um presidente

Depois da Nokia, é a vez da LG de trocar de comando, por causa das dificuldades para competir com o iPhone, da Apple

, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

A vida não está fácil para as fabricantes tradicionais de celulares. Uma semana depois de a finlandesa Nokia anunciar a troca de seu presidente mundial, ontem foi a vez da sul-coreana LG Electronics. Nam Yong anunciou que deixará o comando da terceira maior fabricante de celulares do mundo, por causa das perdas crescentes da divisão de telefones móveis.

Nam, de 62 anos, será substituído por Koo Bon-joon, irmão mais novo do presidente do conselho do Grupo LG, Koo Bon-moo. Nam apresentou sua renúncia ontem ao conselho de administração, assumindo a responsabilidade por problemas de administração.

Empresas tradicionais no mercado de celulares como a Nokia e a LG enfrentam dificuldades na transição tecnológica para o mercado de smartphones, em que as principais referências são o iPhone, da Apple; o BlackBerry, da RIM; e os aparelhos com o sistema operacional Android, do Google. Apesar de ter modelos com Android, a participação da LG nesse mercado de aparelhos mais caros ainda é pequena.

A LG Electronics é a principal operação do Grupo LG, e seu presidente é considerado o segundo principal executivo do grupo, depois do presidente do conselho. Nam ficou à frente da empresa por quatro anos, e continuará oficialmente no cargo até a reunião de acionistas de março, quando será substituído por Koo.

"Nam Yong ofereceu sua renúncia como CEO, assumindo a responsabilidade pela performance fraca e oferecendo tempo ao novo CEO para se preparar para o próximo ano e além", informou a empresa, em comunicado.

Em julho, a LG informou que seu lucro operacional do segundo trimestre - indicador direto de sua performance - caiu 90% para 126 bilhões de wons (US$ 108,6 milhões), comparado ao valor recorde de 1,24 trilhão de wons (US$ 1,07 bilhão) no mesmo período de 2009.

A divisão de aparelhos celulares registrou um prejuízo operacional de 120 bilhões de wons (US$ 103,4 milhões), frente a um lucro de 620 bilhões de wons (US$ 534,4 milhões) no ano anterior. Koo, de 59 anos, que atuou como executivo de várias subsidiárias do Grupo LG, mas recentemente como vice-presidente do conselho da trading LG International.

Aparentemente, os investidores receberam bem a decisão da LG Electronics. As ações da empresa subiram 4,7% na bolsa de Seul. "Koo deve renovar a organização e colocá-la em sintonia com as mudanças rápidas do setor de tecnologia da informação", afirmou Lee Yong-jik, da AIG Investments em Seoul. "A expectativa é que a LG reduza a diferença em relação à Apple e outras fabricantes de smartphones."

Mudança. Na semana passada, a Nokia anunciou que o executivo canadense Stephen Elop, que comandava uma divisão da Microsoft, assumiria o lugar de Olli-Pekka Kallasvuo como seu novo presidente. Na segunda-feira, Anssi Vanjoki, vice-presidente executivo responsável pela estratégia de smartphones da Nokia, também deixou a empresa.

Um dia depois da saída de Vanjoki, a Nokia lançou três novos celulares inteligentes, com o sistema operacional Symbian, da própria fabricante. "Apesar dos novos competidores, o Symbian continua a ser o sistema operacional móvel mais usado no mundo'', disse Niklas Savander, vice-presidente executivo da Nokia. / AP E BBC

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