TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Disputa no comércio online reduz ociosidade de galpão perto da capital

Maior rapidez nas entregas das vendas online tirou os galpões em condomínios logísticos que ficam num raio de até 40 quilômetros da Praça da Sé da crise; hoje apenas 13,9% desses imóveis estão vagos em São Paulo, ante 20,6%, que é a média do Estado

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2019 | 05h00

A corrida do comércio eletrônico para entregar rapidamente as mercadorias aos clientes e a menor oferta de novos empreendimentos vagos levaram à retomada da locação de galpões em condomínios logísticos próximos dos grandes centros. Esse movimento é nítido em São Paulo. O estado reúne mais da metade dos galpões em condomínios do País e, no ano passado, 70% da área alugada para e-commerce no Brasil foi em São Paulo.

Com mais empresas fechando contratos de locação, houve uma diminuição da ociosidade dos empreendimentos melhor localizados. “A vacância nos galpões de alto padrão em condomínios logísticos subiu por conta da crise e agora está sendo reduzida antes mesmo de a economia retomar de forma mais consistente, sobretudo nas áreas que estão a 40 quilômetros do marco zero da Praça da Sé”, observa Nilton Molina Neto, presidente da Binswanger Brazil, consultoria do setor.

A parcela de galpões vazios em condomínios a 40 quilômetros do centro da capital paulista fechou o ano passado em 13,9%, depois de ter chegado a 20,1% em 2014, no início da crise, aponta a Binswanger. Foi uma redução de mais de seis pontos porcentuais. Já a vacância média dos galpões localizados até 120 quilômetros do centro, caiu num ritmo menor. Estava 23,1% em 2014 e encerrou o ano passado em 20,6%.

Apesar da redução da ociosidade dos galpões, especialmente dos que ficam próximo da capital, o aluguel médio pedido ainda não subiu. Molina Neto diz que, quando a vacância ficar abaixo de 10%, o valor pedido deve começar aumentar.

Essa barreira está perto de ser rompida nos empreendimentos localizados em Cajamar, município a cerca 30 quilômetros da capital paulista, cobiçado pelas empresas de logística pelo fato de ter ligação com as principais rodovias do País. Fernando Terra, diretor para América Latina da área industrial e de logística da CBRE, uma das grandes consultorias imobiliárias, diz que ociosidade em condomínios de galpões instalados no município já está em 11%. “Começa ter pressão para alta de preço”, frisa. 

Nova onda. Uma nova onda do e-commerce, capitaneada pela Amazon, gigante global do comércio eletrônico reconhecida pela agilidade nas entregas, pelo Mercado Livre, que é um shopping center virtual que vende produtos de terceiros, e pelo Magazine Luiza, desencadearam o aumento da procura de locação de galpões destinados a centros de distribuição.

Foi em Cajamar que, em 2018, a Amazon alugou 49 mil metros quadrados (m²) para armazenar 120 mil itens próprios. No mesmo município, o Mercado Livre também fechou em 2018 um contrato de pré-locação de um galpão 111,7 mil m² antes mesmo de o empreendimento ser construído Foi o maior contrato de galpão sob encomenda fechado no País.

A GPL, multinacional especializada em operações logísticas e contratada para erguer o centro de distribuição do Mercado Livre, fechou em 2018 o segundo maior contrato de locação com o grupo GPA. Vai construir um galpão de 100 mil m², no Rio de Janeiro

“2018 foi o melhor ano desde 2012”, diz Mauro Dias, presidente da GLP. Com presença em 11 estados, a empresa terminou ano com contratos fechados de locação de galpões que somam 423 mil m². É um volume 56% maior comparado a 2017, puxado por São Paulo, nas áreas de varejo e e-commerce.

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