Disputa por patrocinadores e novo concorrente aquecem show biz

Entrada do grupo ABC, de Nizan Guanaes, movimenta o mercado, ainda pouco profissionalizado no Brasil

Marili Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

29 Dezembro 2008 | 00h00

O show tem de continuar, independentemente do real tamanho da atual crise global. Talvez fique mais difícil mobilizar platéias como a de 340 mil pessoas que compareceram aos shows da cantora-atleta Madonna, ao preço médio de R$ 200,00. Ou então, de se trazer figuras de seu calibre, com o dólar no atual patamar, encarecendo os cachês internacionais. Mas, apesar das dúvidas, o segmento de show biz estará mais concorrido a partir de 2009, já que o grupo ABC, de Nizan Guanaes, resolveu entrar nesse mercado. Se antes o empresário Fernando Altério, sócio e presidente da Time4Fun, dominava a área - afinal ele trouxe a Madonna e já garantiu mais uma turnê de 23 meses do Cirque de Soleil no ano vem -, agora vai enfrentar o sócio de Nizan, Bazinho Ferraz, na disputa por patrocinadores. Com a compra de participação majoritária em dois parceiros do ramo -Mondo Entretenimento e Evenpro -, o ABC pôs na agenda do primeiro semestre de 2009 os espetáculos da banda de rock Iron Maiden e da cantora e compositora canadense Alanis Morissette. Ambos vão percorrer países da América Latina. Aliás, escala é de fundamental importância para o mundo dos megashows. Só se justifica trazer turnês, que custam na casa dos milhões, se houver investimento para grandes platéias . "Mais do que isso, os contratantes têm de conseguir artistas com peso suficiente para garantir o interesse de patrocinadores, já que a receita da bilheteria cobre, em média, apenas 30% dos custos", explica Marcos Lacerda, sócio da agência de promoções e eventos 360ºBTL. "Há espaço para mais concorrentes nesse mercado no Brasil, que ainda não é muito profissionalizado", completa o seu sócio Wagner Zaratin. "Mas o trabalho daqui para a frente será bem mais duro para que essas turnês justifiquem o investimento, porque as margens podem se estreitar, não só diante da competição mais acirrada por talentos, como com a perspectiva de um mercado em retração econômica." Apesar de um cenário ainda indefinido, Zaratin acredita que os patrocínios podem vir a ganhar fôlego mesmo que as verbas de marketing sejam reduzidas. Uma verba de R$ 10 milhões para ações de marketing de uma empresa que sofra um corte pela metade torna-se insignificante para anúncios em mídia, acredita Zaratin. Mas, aplicados em um megashow, é dinheiro suficiente para resultar em um boa exposição para a marca, explica. A expansão da área de entretenimento como mais um braço para ações de marketing das companhias, no lugar da propaganda convencional, está por trás do avanço do grupo ABC no setor nas últimas semanas. A ABC tinha uma deficiência na contratação de shows lá fora. Com a parceria no Brasil, Argentina e Chile com a empresa venezuelana Evenpro, passa a suprir essa carência. Fora isso, em janeiro, os empresários do grupo vão anunciar um novo braço no ramo, a empresa Maior, dedicada à promoção de megashows e eventos esportivos. A parceria será entre a família Sirotsky, dona do grupo de mídia RBS, e terá à frente o ex-executivo da Phillips, Paulo Zottolo. O negócio que junta as duas empresas no universo do entretenimento foi intermediado pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que é sócio de ambas por meio do seu fundo Gávea Investimentos. O fundo também é sócio de Fernando Altério na Time4Fun. Procurado para falar sobre o interesse no segmento, o seu irmão e sócio, Luiz Fraga, disse não ter nada a comentar. A resposta talvez esteja na recente pesquisa da consultoria Nielsen sobre consumo de entretenimento, feita com 26 mil usuários de internet em 52 países. O Brasil aparece em segundo lugar entre os que mais consomem produtos e serviços na área, mas pula para primeiro quando se refere ao consumo de música. "Nós não estávamos no show biz porque aqui no Brasil as agências ainda não trabalhavam com todos os núcleos de negócios", diz Bazinho Ferraz, que responde pela B, divisão de promoções e eventos do grupo ABC. "Agora podemos potencializar o investimento dos clientes." A grande sacada da nova área está no modelo de operação que Ferraz define por "full service", num dos modismos típicos do universo publicitário. Na prática, a proposta é oferecer ao anunciante toda e qualquer possibilidade de exposição de marca e, lógico, faturar com essa prestação de serviço bem amarrada.

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