Disputa por vagas começa nos currículos

Crise faz aumentar número de currículos de executivos nas empresas de recrutamento

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2009 | 00h00

Desde o início do ano, o número de currículos recebidos pela consultoria de recrutamento e seleção Michael Paige aumentou cerca de 30%. "Em momentos de crise, além das pessoas que perderam suas posições e procuram novas, há aqueles que querem mudar para setores menos afetados", explica Marcello Cuellar, diretor da diretoria de RH da empresa. "Por isso, são centenas de currículos por semana."Cuellar afirma que, para ser notado no meio dessa enxurrada de e-mails e papéis, um currículo precisa ter algumas características. "A principal, e que a maioria não tem, é apresentar números e resultados."Ou seja, não basta apenas listar que a pessoas foi diretora de vendas por um número xis de anos. "Ela precisa colocar que, enquanto ocupou o cargo, implantou um novo sistema de controle de estoques, aumentou as vendas da empresa em tantos por cento, diminuiu gastos em tantos por cento", exemplifica. "A pessoa não deve pensar que esses dados ela pode fornecer na entrevista. Sem eles,atualmente ela nem chegará a uma entrevista.""Ainda existe no País resquícios da cultura de que fazer uma longa carreira no mesmo lugar conta pontos", diz Cláudia Monari, consultora da Career Center. "Então chegam currículos apenas com os períodos em que a pessoa ocupou determinadas funções. Isso não diz nada. Afinal, o que essa pessoa fez por tanto tempo?" Além dos resultados, outro ponto falho em muitos currículos, segundo os consultores, são as formas de contato. "Pode parecer ridículo, mas de 10% a 20% dos currículos chegam sem telefones e e-mail de contato, ou com dados desatualizados", diz Cláudia. Cuellar confirma o número. "Isso acontece com mais frequência do que se imagina."Outro cuidado, segundo Cláudia, é evitar jargões do setor em que a pessoa atua ou o "corporativês". "Já atendi um candidato do setor automotivo, gerente de uma unidade de RH, que dizia ser responsável por organizar os facões da empresa", diz Cláudia. "Ele queria dizer que era responsável pelas listas de afastamentos, dispensas de temporários e demissões. Mas quem não é do meio não sabe." A dica da consultora é mostrar o currículo para alguma pessoa de fora ler. "Se ele não entender alguma coisa, existe a chance de headhunters ou contratantes não entenderem também, se não estiverem ligados àquele setor." Portanto, nada de colocar "Six Sigma" ou "LPI 2" no currículo sem explicar o que são (no caso, processos de eliminação de defeitos e certificação em uso de Linux, respectivamente). E a lista não deve ultrapassar duas páginas.Cuellar diz ainda para se evitar o uso de siglas e termos em inglês. "Palavras em inglês, só na versão em inglês do currículo." Ainda na questão de idiomas, é onde as pessoas costumam tentar "enrolar" os entrevistadores. "Se a pessoa não tem inglês fluente, não adianta mentir. Pior do que escrever ?básico? é ser descoberto como ?básico? na entrevista."E o currículo deve estar pronto mesmo se a pessoa ainda está trabalhando. "É muito mais fácil mantê-lo atualizado do que correr para fazer um novo caso você pretenda buscar novas atividades", diz Cláudia. "E mesmo quem está bem colocado pode precisar a qualquer momento."DICASExtensão: O currículo não deve ter mais de duas páginas. Três, apenas se você for o presidente de uma grande empresaOrdem: Comece listando suas experiências profissionais, da mais atual para a mais antiga. Não é necessário colocar todas, apenas as mais relevantes Números: Para cada cargo listado, coloque as principais realizações com resultados concretos: aumento de produtividade, vendas, treinamentos, novos sistemas implantadosFormação: Da graduação em diante, apenas. Se houver vários cursos de especialização, apenas os mais relevantes no momentoContatos: Mantenha telefones e e-mails atualizados. Se algum contato mudar, reenvie o currículoDetalhes: Não envie foto, a não ser que a empresa peça. No Brasil, coloca-se idade e estado civil nos currículos, diferentemente dos Estados Unidos

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