Distância entre ricos e emergentes diminui, diz Unctad

Segundo relatório da Conferência, rápido crescimento dos países em desenvolvimento reduz abismo

Agência Brasil,

25 de abril de 2008 | 15h55

O abismo entre os níveis de riqueza dos países desenvolvidos e em desenvolvimento está um pouco menor. A distância, que era de 20 para 1 em 1990, caiu para uma proporção de 16 para 1 em 2006. A conclusão consta de relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) sobre os efeitos da globalização no desenvolvimento. O documento foi divulgado na 12ª Unctad, que será encerrada nesta sexta-feira, 25, em Acra (Gana).   Na avaliação da Unctad, a brecha entre ricos e pobres diminuiu devido ao rápido crescimento econômico registrado desde 2002 pelos países em desenvolvimento e em transição. Apenas entre 2003 e 2006, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita cresceu 3,7% na América Latina e Caribe (4,3% apenas na América do Sul), 3% na África e 6,2% na Ásia. Nas economias em transição, o aumento foi de 9,7% entre os asiáticos e de 7,3% entre os europeus. Nos países desenvolvidos, a média foi de 1,9%.   Embora ainda muito desequilibrada, a participação no PIB mundial também mudou nas últimas décadas. Segundo a Unctad, os países desenvolvidos - que representam apenas 16% da população mundial - produziram 73% do PIB nominal de 2006. Em 1980, essa participação era de 80%.   A fatia dos países em desenvolvimento nas exportações mundiais chegou a 36% em 2006, totalizando US$ 3,7 trilhões. O comércio Sul-Sul, defendido pelo Brasil, triplicou entre 1995 e 2005, embora os países mais pobres continuem dependendo de exportações de produtos básicos de baixo valor agregado.   O maior volume de comércio foi registrado pelos países asiáticos, que alcançaram US$ 1,69 trilhões nas trocas entre países asiáticos e com outras regiões do hemisfério Sul. Aí se inclui também um total de US$ 100 bilhões em trocas com países da América Latina.   "Considera-se que hoje são os maiores países em desenvolvimento, com crescimento mais rápido, que estabilizam a economia mundial devido ao dinamismo e abertura", constata o secretário-geral da Unctad, Supchai Panitchpakdi - ex diretor-geral da Organização Mundial do Comércio -, na apresentação do relatório.   "Como muitos países em desenvolvimento obtiveram déficit em conta corrente, se tornaram importantes provedores de capital para o resto do mundo", concluiu Supachai.

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