Distribuidora compra energia a preço acima do mercado

O Ministério de Minas e Energia prepara uma nota denunciando distribuidoras que compram energia de geradoras do mesmo grupo a preços acima do mercado. O objetivo, segundo o secretário-executivo, Maurício Tolmasquim, é esclarecer a população sobre uma prática que aumenta o preço da conta de luz. "Há empresas no Nordeste que fizeram contrato de compra de self dealing (compra de energia de empresas do mesmo grupo) a R$ 150 por megawatt-hora (MWh) enquanto estão deixando de comprar energia de estatais a R$ 50 por MWh", disse, sem citar nomes. "Na região mais pobre do Brasil estamos vendo aumentos de energia inaceitáveis em nome de um pseudo modelo de competição".Segundo ele, as empresas não agem fora da lei, pois o modelo elaborado pelo governo passado para o setor permite este tipo de operação. "Mas precisamos esclarecer a população", disse. O atual governo já tentou procurar brechas legais para impedir esta prática, mas não encontrou. Tolmasquim frisou, porém, que o ministério não pensa em romper contratos. "Estamos analisando o caso para ver se encontramos uma solução", disse. O novo modelo em desenvolvimento pelo governo vai proibir os contratos de fornecimento entre empresas do mesmo grupo. De acordo com a ONG Ilumina, por exemplo, a Light estaria deixando de comprar energia de Furnas a R$ 76,03 por MWh e passando a comprar da térmica do Norte-Fluminense a R$ 133,19 por MWh. A térmica é controlada pelo mesmo grupo da Light, a francesa EDF. O Ilumina ameaça ir à Justiça, caso a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) utilize o novo valor na revisão tarifária da companhia, que está em curso.

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