Distribuidoras melhoram desempenho

Com o consumo em baixa, resultado foi influenciado pela redução das perdas e da inadimplência

Luciana Collet, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2017 | 04h00

Grande parte das distribuidoras de energia conseguiram melhorar seu desempenho operacional no segundo trimestre com a redução das perdas e melhora dos indicadores de inadimplência, ainda que a retomada do crescimento do consumo não tenha acontecido. E o cenário apontado por executivos é de otimismo para os próximos trimestres, com expectativa de melhoria no consumo.

O presidente da EDP Energias do Brasil, Miguel Setas, indicou que a companhia – que tem duas distribuidoras, em São Paulo e no Espírito Santo –, trabalha com a perspectiva de consumo de energia estável até o fim do ano, depois de ter registrado, no segundo trimestre, queda de 0,9% no volume de energia distribuída.

Entre abril e junho, o consumo de energia no País caiu 0,95% ante igual período do ano passado, para 114,9 mil gigawatts-hora (GWh), segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). As distribuidoras tiveram números piores, pressionados pela migração de clientes para o mercado livre, em que o consumidor compra a energia diretamente do fornecedor. O mercado cativo, formado por consumidores atendidos pelas distribuidoras, caiu 10,8%, para 79,2 mil GWh.

Dados prévios de consumo no segundo semestre ainda não mostram com clareza a retomada de consumo, mas dão alguma indicação de melhora do mercado. Números da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicam que na primeira quinzena de agosto o consumo caiu 1%, mas, excluindo o impacto da migração para o mercado livre, o consumo no ambiente de contratação regulada teria aumento de 0,3%. Resta saber se esse desempenho foi influenciado por alguma externalidade e se haverá fôlego para mantê-lo.

Os analistas do Goldman Sachs Bruno Pascon Victor Hugo Menezes e Gabriel Francisco esperam que a queda nos volumes comercializados seja “gradualmente revertida” no segundo trimestre, tendo em vista a expectativa de desaceleração da migração de consumidores para o mercado livre e a maior probabilidade de uma recuperação consistente da produção industrial.

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