André Borges/Estadão
André Borges/Estadão

Distribuidoras terão de pagar R$ 300 mi do bolso

Após adiar pagamento da fatura de maio, de R$ 1,3 bi, para agosto, Aneel decide manter a data para as empresas quitarem conta de junho

Anne Warth, Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2014 | 02h02

BRASÍLIA - Com a demora do governo em fechar um acordo com os bancos e garantir um novo empréstimo para o setor elétrico, as distribuidoras terão de contar com dinheiro do próprio caixa para bancar as despesas com a compra de energia no mercado em junho, pelo menos temporariamente. O gasto deve atingir R$ 300 milhões e as empresas terão prazo entre quinta-feira e sexta-feira para pagar.

Diferentemente do adotado na liquidação de maio, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não vai adiar o prazo do desembolso de junho.

Um novo adiamento, apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, seria um sinal "muito ruim" para o mercado. Investidores, sobretudo estrangeiros, questionam as empresas sobre os rumos do setor, cada vez mais imprevisível e dependente de aportes emergenciais.

Na semana passada, a Aneel prorrogou o prazo para o pagamento pelas distribuidoras da energia comprada em maio, que totalizou R$ 1,3 bilhão. Esse prazo, originalmente, acabava no início de julho, mas foi adiado para o dia 31 de julho na expectativa de que o acordo com os bancos fosse fechado. Como isso não ocorreu, a Aneel adiou novamente a data - agora, para 28 de agosto.

A data do pagamento da energia de junho, no entanto, será mantida. Como a despesa é bem menor do que em maio, o governo avaliou que as empresas poderiam, por ora, bancar essa conta com caixa próprio.

A Aneel, porém, não vai deixar as empresas sem cobertura por muito tempo. Nesta sexta-feira, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) vai fazer uma assembleia para aprovar novo empréstimo de R$ 6,5 bilhões para as distribuidoras. Com o financiamento, o dinheiro deve chegar às mãos das companhias até o próximo dia 15.

Complicações. O governo tem se deparado com mais dificuldades para fechar o financiamento com os bancos ao setor. O primeiro empréstimo, de R$ 11,2 bilhões, foi contratado com juros correspondentes ao CDI (taxa de juros interbancária), mais 1,9% ao ano. Para o novo valor negociado, de R$ 6,5 bilhões, as instituições querem uma remuneração maior.

Por causa das limitações das instituições financeiras, desta vez, o governo vai contar com recursos do BNDES.

O governo tem feito todo o esforço para ajudar financeiramente as distribuidoras na tentativa de evitar um reajuste ainda mais salgado nas tarifas de energia neste ano. Mesmo com o auxílio, a maioria das empresas têm obtido aumentos acima dos 10%. O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, informou que os financiamentos às concessionárias elevarão a conta de luz em oito pontos porcentuais em 2015 e 2016.

A seca prolongada, que reduziu o nível dos reservatórios das hidrelétricas, e o acionamento das usinas térmicas têm provocado uma forte elevação no custo da energia no mercado. Procurada, a Aneel não se pronunciou sobre o assunto.

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