Distúrbio financeiro deve nortear investimentos

A instabilidade no mercado financeiro ainda pode permanecer no cenário de investimentos por algum tempo. Os problemas vêm basicamente do exterior, mas um fator doméstico pode ser acrescido: a contenda política provocada pelas denúncias do senador Antônio Carlos Magalhães. As confidências de ACM a dois promotores trazem à tona o caso Eduardo Jorge (Eduardo Jorge Caldas, ex-secretário-geral da Presidência). O temor do mercado é de que uma possível investigação possa recair sobre o presidente Fernando Henrique. A preocupação traduziu-se em pressão sobre o dólar na semana passada e reforça as expectativas para a retomada nos negócios na quarta-feira de cinzas. A economista-chefe da Lloyds Asset Management (LAM), Gina Baccelli, afirma que as incertezas externas - ligadas à economia dos EUA e crise cambial na Turquia - são suficientes para manter a instabilidade nos mercados. O investidor, segundo ela, deve manter a cautela e não patrocinar movimentos precipitados de capital. Quem tem dinheiro novo para aplicar e possui um perfil conservador deve concentrar seu capital num fundo DI. Gina lembra, no entanto, que o momento pode ser interessante para alguma jogada financeira mais ousada, como mesclar papéis de renda fixa e renda variável. É possível ainda ampliar um pouco a rentabilidade na renda fixa investindo em fundos prefixados. "Aqui se faz uma aposta no corte do juro", uma tendência que tende a ser retomada mais à frente, principalmente em virtude das últimas altas. O fundo cambial é uma aposta de elevado risco. A trajetória de queda dos juros pode ser estimulada por novo recuo do juro básico norte-americano, que não seria impedido por um aumento da inflação norte-americana em janeiro. A mudança na política cambial turca foi bem recebida pelo mercado, mas é preciso esperar aonde irá a economia da Turquia e qual será a influência turca sobre a Argentina.

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