bolsa

E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Divergência de interesses será pano de fundo do G-20

A divergência de interesses entre Brasil e Índia será o pano de fundo da reunião do G-20, grupo de países em desenvolvimento que defende o aumento da abertura e a redução de subsídios por parte dos países desenvolvidos na agricultura, no próximo dia 9 de setembro no Rio.Ao Brasil e a outros países exportadores em agricultura, como a Argentina, interessa diminuir as barreiras ao comércio de produtos agrícolas. Já Índia, China, Filipinas e Indonésia participam, além do G-20, do G-33, outro grupo de países em desenvolvimento que, nas negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC), defende que os países em desenvolvimento deveriam manter, e até aumentar, a proteção ao seu mercado agrícola interno."Houve um erro tático do Brasil de não perceber que o conceito da Índia (sobre os objetivos da rodada de negociações de Doha da OMC) é muito diferente do nosso", disse o gerente-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), André Nassar, em apresentação hoje no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).A questão ganhou importância quando os Estados Unidos passaram a condicionar a redução dos seus subsídios internos à contrapartida de abertura dos mercados em desenvolvimento à agricultura. Os países em desenvolvimento não concordaram, embora a proposta até seja benéfica para o Brasil. As negociações em Doha estão suspensas diante do impasse."Seria bastante bom se o Brasil aproveitasse a reunião para pressionar os indianos", disse Nassar. No entanto, ele não acredita que isso ocorrerá e prevê que da reunião resultará um comunicado reforçando o comprometimento do G-20 com a Rodada de Doha, culpando os Estados Unidos pela suspensão das negociações e dizendo que o G-20 não fará movimento sem que os Estados Unidos melhorem sua proposta. Participação brasileiraO G-20 já não é tão útil ao Brasil. Pelo menos não tanto quanto foi em seu início, em 2003 e 2004, na reação à proposta conjunta de Estados Unidos e União Européia para a atual rodada de negociações, a de Doha, suspensa no mês passado por tempo indeterminado.A avaliação é do gerente-geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), André Nassar, que deu palestra nesta terça-feira sobre as negociações agrícolas na OMC, parte de um curso de comércio exterior para jornalistas promovido pelo Icone e pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais.De acordo com o especialista, já há algum tempo o Icone defende que o Itamaraty pressione os países asiáticos mais populosos e protecionistas em agricultura, como Índia, a abrirem seus mercados. Um dos argumentos é que hoje mais de 50% das exportações do agronegócio são para países em desenvolvimento.Porém, o Itamaraty tende a privilegiar o sentido político de preservar o G-20 e evita tocar em temas que desagradem os outros países do grupo, como Índia e China, e possam dividir os participantes. Nassar observou também que, por outro lado, sair do grupo não traria nenhuma vantagem ao País.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.