Divergência entre partidos persiste

Após aprovação no Senado, democratas e republicanos terão de unificar as versões votadas pelas duas Casas

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

10 de fevereiro de 2009 | 00h00

O Senado deve aprovar hoje o pacote de estímulo à economia proposto pelo presidente Barack Obama, mas essa votação é apenas o começo de uma novela que pode se arrastar no Congresso americano. Depois da aprovação pelo Senado, democratas e republicanos vão se reunir para chegar a uma lei final a partir das versões marcadamente diferentes do Senado e da Câmara.No Senado, os democratas conseguiram convencer três republicanos moderados a apoiar o pacote de US$ 827 bilhões, ao atender a reivindicações: cortaram vários programas considerados "desperdício" e adicionaram cortes de impostos. Mas a Câmara aprovou uma versão da lei de US$ 820 bilhões que desagrada muito aos republicanos, porque contém mais gastos de governo e menos incentivos fiscais do que a versão do Senado. Deputados e senadores vão ter de chegar a um consenso sobre a lei final. "Se a lei que emergir da conferência estiver cheia de desperdício e ultrapassar os US$ 800 bilhões, eu vou votar contra; não posso aprovar uma lei cara e inchada", disse ontem a senadora Susan Collins. Collins foi um dos três republicanos que concordaram em aprovar a lei no Senado. O presidente Obama havia fixado 16 de fevereiro como data para assinar o pacote de estímulo, mas muitos observadores duvidam que a legislação esteja pronta dentro desse prazo. E a maioria dos economistas adverte: quanto mais demorar para o estímulo ser aprovado e começar a ser injetado na economia, maior o perigo de ele não ser eficiente. A versão do Senado custa US$ 827 bilhões, sendo US$ 281 bilhões em cortes de impostos, US$ 263 bilhões em ajuda a desempregados e US$ 283 bilhões em gastos do governo. Já a versão da Câmara, de US$ 820 bilhões, prevê US$ 182 bilhões em cortes de impostos, US$ 278 bilhões em ajuda a desempregados e US$ 360 bilhões em gastos do governo.Para chegar a um acordo no Senado, os senadores democratas concordaram em cortar recursos para escolas e faculdades e reduzir benefícios de assistência médica a desempregados, além de adicionar incentivos fiscais para a classe média e para compra de imóveis e carros. Alguns democratas da Câmara já estão chiando e querem que os recursos para escolas façam parte da versão final da lei, além de pregarem uma redução dos estímulos fiscais. Segundo eles, o corte de impostos para a classe média, no valor de US$ 70 bilhões, não será eficiente para estimular a economia imediatamente porque os beneficiados não estão tão mal e devem poupar o dinheiro, em vez de gastar. Eles também reclamam do corte na ajuda aos governos estaduais."Vamos tentar fazer isso da forma mais rápida possível", disse o senador Harry Reid, líder democrata. "Precisamos completar o trabalho nesta semana."''DESASTRE''Ontem, Obama alertou que a demora para aprovação do pacote vai "aprofundar o desastre" para a economia americana. "Não podemos mais nos dar ao luxo de esperar", disse Obama em um encontro na prefeitura de Elkhart (Indiana)."Se não agirmos imediatamente, milhões de mais empregos serão perdidos e a taxa de desemprego nacional vai se aproximar dos dois dígitos em todo o país", disse.

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