Diversificação deve focar classe de ativos
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Diversificação deve focar classe de ativos

Balancear os objetivos costuma ser mais vantajoso

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2021 | 07h30

Escolher produtos diferentes nem sempre é sinal de diversidade na carteira. De acordo com especialistas, os investidores devem sempre procurar ativos que sejam descorrelacionados. “A gente deve querer ativos que não tenham a mesma direção. Então, se a Bolsa de Valores cair, quero um fundo que não tenha ligação com a Bolsa”, destaca Alkeos Saroglou, sócio da Alta Vista Investimentos. “Com um ativo indo para um lado e outro para outro vai a carteira de investimentos ficar mais eficiente”, avalia o especialista. “Colocar todos os ovos na mesma cesta vai dar errado, mas é fundamental dividir em classe de ativos e não em vários produtos”, reitera Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo.

De um modo geral, os fundos de investimento têm uma cesta diversificada, com estratégias diferentes, menos concentradas, consideram o cenário macro e cíclico, conforme explica Ariane Benedito, economista da CM Capital. “A vantagem dos fundos é que os investidores contam com uma equipe que vai usar o patrimônio no mercado já pensando na diversificação. A pessoa delega para o gestor, que tem expertise, para fazer a escolha mais assertiva”, diz Ariane. Ela destaca que o nome do fundo já dá uma ideia de onde a exposição dele é maior – fundo de ações em Bolsa de Valores, exemplifica. Há uma variedade de opções e um mito de que fundos de renda fixa são apenas para investidores conservadores.

Entre as principais opções de categorias de fundos para diversificar os seus investimentos, os especialistas citam quatro: renda fixa, renda variável ou de ações, cambiais e multimercados.

Características das principais categorias

“Renda fixa pode ser subdividida em várias características distintas, como curto ou longo prazos, onde as aplicações se diferenciam nos prazos de resgate”, explica Aldo Filho, da Aware Investments. A lista, entretanto, continua, segundo o analista. “O referenciado utiliza um índice como referência, o simples aplica em títulos públicos ou dívidas de instituições financeiras de risco muito próximo, dívida externa quando se investe de títulos da dívida externa da União, porém com os riscos do câmbio e de liquidez e por último de crédito privado, ou seja, dívidas de empresas e instituições financeiras privadas, com os riscos de crédito e liquidez.”

A renda variável ou fundo de ações possuei a necessidade de aplicações de no mínimo 67% em ações e carrega o risco de mercado inerente à renda variável. “Há também os fundos cambiais que investem na variação e paridade de moedas estrangeiras, considerado arrojado dada a volatilidade que a moeda doméstica imprime frente às demais divisas do globo”, afirma Filho.

“A classe de fundos multimercado, por sua vez, possui diversos fatores de risco e não se compromete com a concentração em nenhum ativo específico. Também se utilizam de estratégias para hedge (proteção), dada a diversificação permitida a esta classe”, complementa o especialista.

Franchini, da Monte Bravo, lembra ainda das classes de ativos internacionais. “A alocação internacional, colocar parte da carteira lá fora, tira a volatilidade Brasil dos investimentos.” Esse caminho, segundo Saroglou, da Alta Vista Investimentos, pode deixar a diversificação da carteira ainda mais completa por estar atrelado à variação cambial.

Estratégias profissionais

Apesar de saber que a diversificação é fundamental e que não se pode colocar todos os ovos na mesma cesta, definir a estratégia de investimentos não é tarefa fácil. O analista da Aware Investments, Aldo Filho, explica como a gestora está lidando atualmente com os principais fundos de investimento.

“Nossa equipe de gestão tem por estratégia recomendar parte do montante para fundos de renda fixa aproveitando a recente volatilidade nos mercados de juros e consequente aumento nos prêmios exigidos em títulos atrelados à inflação”, diz Filho. Nesse caso, o objetivo principal é entregar uma performance acima da inflação, mantendo o poder de compra no período. Ele lembra que há também outros fundos da mesma classe, renda fixa, que aplicam em créditos privados de empresas com pontuação de classificação de risco elevada, além de debêntures incentivadas, que é isento de tributação.

“A renda fixa ajuda a ter um caixa para oportunidades. Não estar sempre muito alocado é importante para esses momentos”, diz Alkeos Saroglou, sócio da Alta Vista Investimentos. No caso dos fundos multimercados, a estratégia do analista é de direcionar parte dos recursos para fundos que buscam retornos em operações com análises macroeconômicas, com diversificação em juros, moeda e parte em renda variável. “Ponderar alocar parte da carteira nos fundos selecionados ajudaria a manter o bom desempenho visto no portfólio”, diz Filho.

A indicação dos fundos de ações segue um raciocínio otimista com o mercado acionário brasileiro, com a reabertura da economia, diante do avanço da vacinação no País, apesar da recente volatilidade. “Escolhemos fundos que estão alinhados com a estratégia da nossa equipe de gestão e demonstram os melhores históricos de resultados comparados com os demais da indústria.”

Ariane Benedito, economista da CM Capital, lembra ainda da estratégia dos fundos ETF (exchange-traded fund), ou fundo de índice. Trata-se de um fundo de investimento negociado na Bolsa de Valores como se fosse uma ação e a maioria acompanha um índice, como um índice de ações ou índice de títulos. “É um produto mais arrojado, de maior risco, e, por isso, tem expectativa de trazer uma rentabilidade maior”, comenta Ariane.

“Há uma enxurrada de novos produtos legais chegando ao mercado”, diz Saroglou, da Alta Vista Investimentos. De acordo com ele, são mais de 100 fundos internacionais disponíveis no mercado brasileiro e que contribuem para a diversificação do portfólio. “Além disso, temos fundo de private equity que é também uma ótima fonte de diversificação”, argumenta.

 

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