Diversificação é também correr diferentes riscos
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Diversificação é também correr diferentes riscos

Escolher muitos caminhos pode ser ruim para os investimentos

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo
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27 de junho de 2021 | 08h00

A palavra de ordem para quem busca ter melhor retorno e minimizar os riscos com os investimentos é diversificação. Especialmente em cenário de juros baixos. Muitos brasileiros já perceberam isso e estão trocando os produtos mais tradicionais por opções alternativas. Mesmo com o recente aumento da taxa Selic, opções mais ousadas disponíveis no mercado continuam interessantes.

“Diversificação é o conceito quando se recomenda ter ativos que não estejam alinhados nem concentrados sobre o mesmo risco”, explica Mauro Morelli, estrategista-chefe da Davos Investimentos, ao lembrar que concentrar recursos em um mesmo produto aumenta o risco e a diversificação o dilui. No entanto, diz ele, a diversificação também exige limites. “Não pode ser tão pouco que não evite a concentração, nem muito para perder o controle”, ensina o especialista.

Para Leonardo Baptista, CEO da fintech especializada em investimentos Pay4Fun, a principal vantagem com a diversificação vem no longo prazo, porque você poderá, no futuro, ter uma renda em que o dinheiro trabalhe para você e não o inverso. “Vale mencionar que uma renda fixa dá uma taxa baixa de retorno, mas também tem pouco risco. Os investimentos alternativos têm uma variação e um risco alto, mas podem gerar grandes ganhos também”, avalia.

Para definir o porcentual que vai em cada classe de ativos, o investidor precisa estabelecer primeiro o objetivo e o prazo dos investimentos, explica Mauro Morelli, estrategista chefe da Davos Investimentos. Ele considera como ideal ter no máximo cinco ativos e dividir as aplicações entre eles numa proporção que varie de 5% a 20%. Além do dinheiro aplicado em estratégias mais arriscadas, especialistas destacam que o ideal é ter o equivalente a seis meses das despesas mensais para reserva de emergência, que deve ser guardado em renda fixa, por causa da liquidez e segurança.

Com a estratégia definida e o dinheiro para os imprevistos bem guardado, é hora de buscar os produtos alternativos que possam oferecer um bom balanço entre risco e retorno. “Sugerimos que 10% da carteira de longo prazo seja aplicada em investimentos alternativos, que não tenham correlação com outros ativos”, considera Roberto Agi, consultor da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar). Para ele, vale a pena colocar parte dos recursos nesses produtos porque, ao fazer a diversificação, o investidor acaba mitigando o risco.

“O porcentual tem que ser aquele que se você eventualmente perder não vai ter um impacto tão grande nas suas finanças. Aconselhamos 10% dos investimentos em carteira alternativa, mas varia de pessoa para pessoa, sendo que os mais jovens podem arriscar mais e os mais velhos devem colocar um porcentual menor”, ensina Vanessa Viana, sócia da Capital Lab Ventures.

Esse é um caminho que muitos investidores estão seguindo, principalmente depois que as taxas de juros caíram no Brasil. “O movimento dos juros explica o crescimento nas aplicações em produtos um pouco mais arriscados, como títulos privados e fundos de investimento”, afirma Marcelo Billi, superintendente de Comunicação, Certificação e Educação de Investidores da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Levantamento realizado pela Anbima mostra que ações, títulos privados e fundos ganharam participação no portfólio dos investidores em 2020, enquanto a caderneta de poupança perdeu espaço pela primeira vez em quatro anos. Ainda assim, a tradicional caderneta continua como o investimento preferido, atingindo 29% dos investidores, mas com uma queda de oito pontos porcentuais em relação a 2019. Por outro lado, os demais produtos financeiros tiveram alta em 2020, com destaque para títulos privados, que ganharam três pontos em relação ao ano anterior, passando a ser utilizados por 5% dos investidores. Os fundos também conquistaram mais adeptos no ano passado: 5% dos investidores indicaram o produto como destino para suas economias, frente a 3% no ano anterior.

Trocando de ativos em busca de rentabilidade melhor

Mesmo os perfis mais conservadores de investidores estão se arriscando mais em busca de um melhor retorno nas suas aplicações. O empresário Paulo da Silva, 46, é um dos investidores que resolveram tirar parte dos recursos da renda fixa e levar para fundos imobiliários e de infraestrutura.

“Nunca gostei de me arriscar e com a renda fixa rendendo cerca de 15% ao ano atendia às minhas expectativas”, diz o empreendedor. “Só que com a queda da Selic, o rendimento da renda fixa despencou e, em alguns meses, chegou até a ficar negativo. Tive que mudar”, complementa.

Depois de avaliar algumas opções do mercado, o empresário conta que gostou dos fundos imobiliários e de infraestrutura e alocou parte dos seus investimentos para esses ativos. “Há dois anos, 90% do meu dinheiro estava em renda fixa e 10%, em ações”, conta.

Desses dois anos para cá, a carteira de investimento dele mudou bastante. Atualmente, ele tem 50% dos recursos em renda fixa, que são destinados para reserva de emergência, 30% em ações e 20% em fundos imobiliários e de infraestrutura. “Não descarto colocar parte das minhas economias em outros produtos, mas por enquanto acho que a carteira com essa divisão vai atender aos meus objetivos de curto, médio e longo prazo”, considera.

Guilherme Rebouças, sócio da OBB Capital, considera que é fundamental encontrar um ponto de equilíbrio, sempre lembrando que retorno alto tem um risco mais elevado também. “O investidor precisa entender o nível de risco que ele suporta e, a partir daí, montar a sua carteira de investimentos”, aconselha.

O consultor Éber Feltrim ressalta que é fundamental pulverizar os investimentos. “Colocar todo o seu recurso em um único ativo ou em pouquíssimos ativos pode comprometer toda tua vida de trabalho ao longo de todos os anos”, diz. “Hoje, o mercado financeiro é muito dinâmico. Por isso, quem não mede não gerencia. É impossível você ter ganhos cada vez melhores se você engessar, numa única carteira, e não movimentar essa carteira periodicamente”, analisa Feltrim.

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