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Dívida brasileira precisa ser ajustada, mas não por decreto, diz economista

A seção de cartas do jornal Financial Times está servindo ao longo dos últimos dias de palco para um debate acadêmico sobre como se gerenciar a dívida pública brasileira. O mentor do Consenso de Washington, o economista inglês radicado nos Estados Unidos John Williamson, em carta publicada hoje pelo diário britânico, afirma que "realmente há uma necessidade de se ajustar a estrutura da dívida brasileira, mas que tentar ajustar isso por meio de decreto, ao invés da aprovação dos investidores, irá simplesmente perpetuar a vulnerabilidade do Brasil às crises". Williamson, ligado ao Institute for International Economics de Washington, respondeu assim a uma outra carta, publicada na terça-feira passada, do professor Michael Pettis, do departamento de economia Universidade de Tsinghua, em Pequim. Petti sugeriu que a única forma de persuadir os credores a rolarem os papéis brasileiros com taxas de juros menores "seria provavelmente por meio de uma reestruturação forçada da dívida interna". A carta de Pettis, por sua vez, foi uma crítica ao colunista do FT, Martin Wolf, que defendeu na semana passada o aumento do superávit primário brasileiro e o convencimento das instituições financeiras para que elas rolem voluntariamente as dívidas com "taxas razoáveis". Segundo Williamson, é difícil discordar que a estrutura da dívida herdada pelo Brasil - "boa parte dela de curto prazo, boa parte vinculada a taxas de juros, boa parte indexada ao dólar - torna o país vulnerável a crises". Entrentanto, ele não concorda com aqueles que afirmam que a saída "seria uma troca (swap) por obrigações denominadas em real, com taxa fixa, de médio prazo"."Para começar, será que alguém realmente quer forçar os investidores a trocarem ativos indexados ao dólar por outros denominados ao real quando a moeda está tão desvalorizada?", questionou . Segundo Williamson, os investidores iriam reclamar disso, "mas acabariam no final certamente ganhando muito dinheiro às custas do público brasileiro". O mais importante, disse o economista, é reconhecer que a maturidade da dívida brasileira é muito mais longa do que costumava ser no passado. Segundo ele, a maturidade da dívida não é ainda mais longa ?por conta da história do Brasil de periodicamente decretar compulsoriamente trocas (swaps) de ativos de curto prazo por outros de médio prazo (o mais recente foi em 1990)". Williamson salientou que repetir essa prática "simplesmente iria assegurar que seria necessário outra década antes que os investidores brasileiros fiquem dispostos a rolar os ativos de médio prazo em vencimento por outros que não sejam de curto prazo". Williamson lembrou que uma política fiscal mais austera seria mais desconfortável no curto prazo, "mas oferece uma esperança real de se escapar do destino desanimador de ser incapaz de vender qualquer ativo que não seja de curto prazo com prêmios de risco exorbitantes". Com o o maior aperto fiscal, segundo o economista, "todas as razões óbvias que podem explicar os motivos que levaram os investidores a não adquirirem nada de diferente nos últimos anos deixariam de ser válidos". Para ele, as autoridades, "teriam resistido à tentação de recorrer a um swap compulsório em todos os momentos difíceis". Além disso, "o temor de que o governoo Lula assumiria o poder e expropriaria a riqueza após a eleição teria sido desaprovado pelos eventos".A inflação brasileira foi controlada em 1994, observou Williamson, "e por isso o período de elevadas taxas de juros reais que geralmente sucedem o fim de uma fase de alta inflação deveria já ter terminado". Segundo ele, "o novo governo vai querer uma taxa de câmbio competitiva para ajudar a economia a crescer mais, ao invés de querer altas taxas de juros para manter o real forte, como o atual governo fez no seu primeiro mandato".

Agencia Estado,

07 de novembro de 2002 | 14h34

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