André Dusek/ Estadão
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ESG

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Dívida bruta brasileira sobe em agosto, bate recorde e encosta em 80% do PIB

Os dados da Dívida Bruta do Governo Geral são uma das principais referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País; quanto maior a dívida, maior o risco de calote

Fabrício de Castro e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2019 | 17h58

BRASÍLIA - Em meio ao forte déficit na Previdência Social, a dívida bruta brasileira bateu novo recorde em agosto. Dados divulgados nesta segunda-feira, 30, pelo Banco Central mostram que ela atingiu R$ 5,62 trilhões no mês passado, o equivalente a 79,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Este é o maior porcentual da série histórica do BC, iniciada em dezembro de 2006.

 

A Dívida Bruta do Governo Geral – que abrange o governo federal, os governos estaduais e municipais, excluindo o Banco Central e as empresas estatais – é uma das principais referências para avaliação, por parte das agências globais de classificação de risco, da capacidade de solvência do País. Na prática, quanto maior a dívida, maior o risco de calote por parte do Brasil.

No melhor momento da série histórica, em dezembro de 2013, a dívida bruta brasileira chegou a 51,5% do PIB. Desde então, os constantes déficits (resultados negativos) nas contas dos governos têm elevado o endividamento.

Apenas em agosto, o déficit primário do setor público brasileiro foi de R$ 13,45 bilhões. A cifra reflete a diferença entre receitas e despesas, antes mesmo do pagamento dos juros da dívida pública. No mês passado, o governo federal até conseguiu registrar um superávit, de R$ 4,20 bilhões, mas o esforço se perdeu em função do rombo de R$ 20,63 bilhões nas contas da Previdência.

No acumulado de janeiro a agosto deste ano, o déficit primário do setor público soma R$ 21,95 bilhões, sendo que o rombo do INSS no período é de R$ 131,74 bilhões. Com o resultado no vermelho, resta ao Tesouro Nacional emitir títulos públicos para fechar as contas, o que ajudou a elevar a dívida bruta a quase 80% do PIB.

“Já estamos com déficits primários desde 2014 e este será o sexto ano, sendo que, para estabilizar ou reduzir a dívida bruta, seria preciso alcançar superávits primários”, pontuou o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, durante a apresentação dos números. Rocha lembrou que o responsável pela política fiscal do governo é o Ministério da Economia e, por isso, evitou comentar sobre qual patamar de resultado primário seria necessário para a estabilização da dívida bruta e sua eventual redução.

O BC informou ainda que a Dívida Líquida do Setor Público – que leva em consideração também as reservas internacionais – atingiu R$ 3,86 trilhões em agosto, o que equivale a 54,8% do PIB. Em julho, o porcentual havia sido de 55,8% do PIB. Neste caso, conforme Rocha, a redução da dívida está ligada à alta do dólar ante o real no período, que influencia positivamente o valor das reservas internacionais do País.

Juros. Os dados do BC mostraram ainda que, em agosto, os gastos do setor público brasileiro com os juros da dívida foram de R$ 50,20 bilhões. De janeiro a agosto, esta despesa já chega a R$ 258,81 bilhões, ou 5,49% do PIB.

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